Nos arredores da Praça Nossa Senhora de Salete, o que não falta é gente disposta a jogar. O problema é que parece estar faltando baralho. No epicentro político do Paraná, o clima lembra uma grande mesa de truco com muita conversa atravessada, blefes descarados e aquele clássico “seis!” gritado sem a menor convicção. O resultado? Gargantas roucas de tanto gritar e ideias cada vez mais ocas de tanto repetir.
Ali, entre um cafezinho e outro, surgem propostas que mais parecem cartas invisíveis, ninguém vê, ninguém entende, mas todo mundo finge que vale alguma coisa. Há quem bata na mesa com força, cheio de confiança, mesmo sem ter jogo algum. E o curioso é que, quanto mais alto o grito, mais vazio parece o conteúdo. É um espetáculo onde o volume substitui o argumento e a plateia já começa a perceber.
A política, no entanto, deveria ser um jogo mais nobre. Não um truco de esquina onde vale tudo para ganhar a rodada, mas uma partida onde estratégia, clareza e responsabilidade façam parte da regra. Só que, por ali, o roteiro está mais para comédia improvisada do que para plano de governo com direito a personagens caricatos e narrativas que fariam sucesso em qualquer best-seller de humor ácido.
No fim das contas, talvez o problema nem seja a falta de baralho, mas o excesso de jogadores que confundem blefe com proposta e barulho com liderança. Ainda assim, entre uma jogada e outra, fica a torcida que alguém, em algum momento, traga cartas de verdade para a mesa. Porque participar é importante, sim mas, convenhamos, jogar sem o zap, copas e o gato nas mãos já virou piada porque o “mole” muita gente tem.
A grande pergunta que ecoa no Centro Cívico é:
Afinal, o governador Ratinho Júnior já escolheu seu candidato?





