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O “Domingo da Alegria” em tempos de Covid-19

A tradição católica chama o 4º Domingo da Quaresma de Domingo da Alegria: “Alegra-te, Jerusalém! Vós que estais tristes, exultai de alegria! (Is 66,10)

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A tradição católica chama o 4º Domingo da Quaresma de Domingo da Alegria: “Alegra-te, Jerusalém! Vós que estais tristes, exultai de alegria! (Is 66,10). É possível experimentar a alegria quando a morte – para usar uma expressão bíblica – nos “rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar” (1Pd 5,9)? Nesta mesma passagem da Escritura encontramos duas atitudes a serem cultivadas, especialmente neste momento difícil, inseguro e que nos amedronta: “sede sóbrios e vigilantes” e “resisti-lhe, firmes na fé”.

Para isso, quero partilhar uns conselhos importantes, tomados do artigo: “A fé em tempos de coronavírus” (13/03/2020). O autor é o jesuíta estadunidense James Martin, colunista da revista America, consultor do Dicastério para a Comunicação do Vaticano.

Em primeiro lugar é preciso resistir ao pânico.

“Isso não significa que não haja nenhum motivo para se preocupar ou que devamos ignorar os bons conselhos dos profissionais médicos e dos especialistas em saúde pública. Mas pânico e medo não vêm de Deus. Calma e esperança, sim. E é possível responder a uma crise com seriedade e deliberação, mantendo um senso interior de calma e de esperança. (…) Não dê crédito a mentiras ou rumores, nem ceda ao pânico. Confie no que os especialistas médicos lhe dizem, (…) O pânico, ao confundir e assustar você, afasta-o da ajuda que Deus quer lhe dar. Ele não vem de Deus. O que vem de Deus? (…) O Espírito de Deus ‘desperta coragem e força, consolação, inspiração e tranquilidade’. Portanto, confie na calma e na esperança que você sente. Essa é a voz a ser ouvida. ‘Não tenham medo’, como disse Jesus muitas vezes”.

É preciso igualmente rezar. “As igrejas Católicas em todo o mundo estão fechando; missas e outros serviços paroquiais estão sendo cancelados por muitos bispos. Essas são medidas prudentes e necessárias, voltadas a manter as pessoas saudáveis. Mas elas têm um custo: para muitas pessoas, isso retira uma das partes mais consoladoras das suas vidas – a missa e a Eucaristia – e as isola ainda mais da comunidade em um momento em que elas mais precisam de apoio. O que se pode fazer?” Você poderá acompanhar a missa pela TV, rádio ou redes sociais e fazer a sua comunhão espiritual, unindo-se a Deus em oração, é preciso ser criativo. Além disso, poderá assumir a oração pessoal, “meditar o Evangelho do domingo (…), reunir sua família para conversar sobre o Evangelho ou ligar para os amigos e compartilhar suas experiências de como Deus está presente em você, mesmo em meio a uma crise. Os cristãos perseguidos na Igreja primitiva rezavam e compartilhavam sua fé nas catacumbas, e nós podemos fazer o mesmo. ‘Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles’ (Mt 18,20)”. A Igreja é o Corpo de Cristo (1Cor 12,17).

Acima de tudo, porém, é preciso “confiar que Deus está com você. Muitas pessoas, especialmente as doentes, podem sentir uma sensação de isolamento que agrava seu medo. E muitos de nós, mesmo não estando infectados, conhecerão pessoas que estão doentes e até podem morrer. Então a maioria perguntará naturalmente: por que isso está acontecendo? Não existe uma resposta satisfatória para essa pergunta… é o maior dos mistérios. (…) Sabemos, porém, que Jesus entende o nosso sofrimento e nos acompanha do modo mais íntimo. (…) Jesus passou muito tempo com os doentes, (…) entende todos os medos e preocupações que você tem. Jesus entende você, não apenas porque ele é divino e entende todas as coisas, mas porque ele é humano e experimentou todas as coisas. Vá ao encontro dele em oração. E confie que Ele ouve você e está com você”.

E ao final, cantaremos em festa, como fizeram os hebreus após a passagem pelo Mar Vermelho: “Minha força e meu canto é o Senhor, salvação ele se fez para mim” (Ex 15,1-21).