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Maçonaria

O segredo da Maçonaria (2)

Esse período da maçonaria de obras e de operários, literalmente, é hoje conhecida como Maçonaria Operativa, que tinha o seu “segredo” apenas para fins de preservação profissional

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A MAÇONARIA E A IGREJA

Na primeira parte destas considerações em busca de esclarecer se a Maçonaria é secreta, e se nela existe algum segredo, verificamos que, nos tempos medievais na Europa, os artífices reuniam-se em corporações de ofício, associações que regulamentavam o exercício e a continuidade de cada profissão. 

Entre estas profissões estava a de alvanel, termo que deriva do substantivo árabe “al-bannã”, significando “o que constrói, pedreiro”, com o verbo “banã” correspondendo a “edificar, construir”. Do mesmo termo decorre o sinônimo “alvener” e “alvenaria”, cuja definição é “construção de estruturas e de paredes utilizando materiais unidos entre si, ou não, por argamassa”.

Em especial, o pedreiro (mason em inglês, maçon em francês), pelas características das obras de alvenaria de então, necessitava viajar de cidade em cidade em busca de trabalho, o que levou esta classe de operários a desenvolver formas de reconhecimento mútuo, visando tanto a segurança pessoal quanto a sobrevivência profissional. Evidente que para serem efetivas, tais formas de reconhecimento não podiam ser partilhadas a não ser entre os próprios pedreiros. 

O termo “maçonaria” (masonry, maçonnerie), portanto, designava tanto as próprias obras de alvenaria quanto o conjunto de trabalhadores desta arte. Esse período da maçonaria de obras e de operários, literalmente, é hoje conhecida como Maçonaria Operativa, que tinha o seu “segredo” apenas para fins de preservação profissional, mediante senhas de acesso e de reconhecimento. 

Sucedeu que, em alguns locais, as corporações do ofício de pedreiros naturalmente ensejaram a formação de confrarias, grupos menores que, entre outras atividades sociais, se dedicavam à beneficência. No período de transição entre a Idade Média e o Renascimento, essas confrarias passaram a admitir também, como integrantes, pessoas que tinham os mesmos interesses, mas exerciam outras profissões que não a de pedreiro. 

Desta forma, considerando a forma como o poder político era exercido na Europa daquele período da história, e a relativa liberdade experimentada pelos pedreiros nos séculos anteriores, tais confrarias acabaram por se transformar em fraternidades que, além da beneficência, passaram a se dedicar à defesa da liberdade de pensamento e de expressão, e contra qualquer tipo de absolutismo político ou religioso.

Para tanto, os “maçons” (agora também no sentido figurado) passaram a “especular” sobre tais assuntos, não no sentido pejorativo que o termo adquiriu modernamente, mas na sua significação de “estudar com atenção, detalhadamente; pesquisar, investigar; buscar entender por meio da razão, teoricamente; refletir, teorizar”, surgindo assim o que se convencionou denominar “Maçonaria Especulativa”.

Esta Maçonaria do pensamento herdou das corporações de pedreiros medievais não só o nome, mas também conservou o simbolismo de suas ferramentas (a exemplo do esquadro e do compasso entre tantas outras) e a sua organização de trabalho (aprendizes, companheiros e, depois, mestres). Adotou ainda os princípios morais que norteavam as corporações, bem como tradições, usos e costumes, entre eles o de reconhecimento mútuo através de toques, sinais e palavras, ou seja, das já mencionadas “senhas de acesso”.

Obviamente esta transição não aconteceu de um dia para o outro, e em geral a ideia de livre pensamento não foi aceita de bom grado pelos poderes constituídos. Nas próximas semanas continuaremos a especular sobre o segredo da Maçonaria. 

(Com informações do GOB-PR, revista Superinteressante, Oxford Languages e fundamento em obras de N. Aslan e V. Sansão)

Responsável: Loja Perseverança ([email protected]) – Jorn. Fernando Gerlach (DRT-PR nº 2327)

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