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Maçonaria

O segredo da Maçonaria (1)

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A Maçonaria nos tempos primórdios

A Maçonaria é secreta? Qual é o segredo da Maçonaria? Para tentar responder a estas questões, é necessário antes dar um rápido e superficial passeio pela história mundial, em especial no que se refere à organização do trabalho durante a Idade Média, na Europa, acontecimentos que estão nas raízes remotas da Maçonaria moderna. 

Por volta do século XII, os trabalhadores medievais que exerciam uma mesma profissão (alfaiates, sapateiros, ferreiros, pedreiros, por exemplo) passaram a organizar-se e reunir-se em “corporações de ofício”. O “Livro dos Ofícios”, publicado na França em 1268, elencava 101 artes e ofícios, muitos deles organizados em corporações, cujos integrantes eram responsáveis não somente por realizar com maestria essas atividades, como também por transmitir, ensinar, suas habilidades. Para ingressar numa corporação e ter uma profissão, era necessário aprender com alguém já iniciado na arte, era necessário ser “aprendiz”. 

Ao contrário de outros profissionais, que podiam se fixar em determinados locais, pela natureza renovável de seus produtos (roupas, calçados, ferragens, nos mesmos exemplos acima), o pedreiro — mason, em inglês, e maçon, em francês — em geral necessitava viajar a trabalho, deslocando-se para onde houvesse a construção de castelos, catedrais e outras obras em pedra, que usualmente não tinham uma continuidade linear. A construção da Catedral de Milão, na Itália, por exemplo, começou em 1386 e somente foi concluída quase 600 anos depois, em 1965.

Curioso é que, embora a circulação pela Europa não os permitisse acumular tanta riqueza como aqueles que permaneciam estáveis nas cidades (os “burgueses”), essa situação livrava os pedreiros da jurisdição dos bispos locais, bem como os diferenciava dos servos, pois não precisavam dar satisfação aos senhores feudais para deixar suas terras. Essa relativa liberdade rendeu-lhes a denominação de “pedreiros livres”, ou freemason em inglês e franc-maçon em francês, derivando para o franco-maçom em português. 

Por outro lado, certamente era perigoso transitar pela Europa medieval, e nada amistosa a recepção de forasteiros nas diferentes localidades. A solução foi o desenvolvimento de códigos (na forma de sinais, toques e palavras), sigilosamente mantidos, que viabilizassem o reconhecimento somente entre os homens que realmente exercessem igual ofício, como forma de garantir a proteção e o trabalho para aqueles que se deslocavam de um lugar para outro.

Da mesma forma, assim como outros profissionais buscavam sobreviver mantendo suas respectivas técnicas de trabalho exclusivas entre os membros iniciados em cada arte, os operários franco-maçons mantinham reservados entre si seus conhecimentos e habilidades, transmitindo-os somente entre os que se reconheciam mutuamente como pedreiros. O compartilhamento exclusivo de códigos e do conhecimento naturalmente conduz ao chamado “espírito de corpo”, que nada mais é que a identificação legítima entre os integrantes de uma corporação, a sensação individual de pertencer a um grupo coeso.

Em resumo, a franco-maçonaria da Idade Média, composta por estes oficiais e artesãos pedreiros, constituía o que hoje se denomina “Maçonaria Operativa”, cujos “segredos” corporativos (sinais, toques e palavras) nada mais eram que a forma de reconhecimento entre colegas de ofício, visando a segurança pessoal e a sobrevivência profissional. 

Nas próximas semanas veremos de que forma tais “segredos” dos operários da pedra, de origem medieval, passaram pelo Renascimento e como se incorporaram à Maçonaria atual, que para diferenciação é denominada “Maçonaria Especulativa”. 

(Com informações do GOB-PR, da revista Superinteressante, e fundamento em obras de N. Aslan e V. Sansão)

Responsável: Loja Perseverança ([email protected]) – Jorn. Fernando Gerlach (DRT-PR nº 2327)

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