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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

Uma história da devastação da Mata Atlântica: A contribuição do trabalho de Warren Dean

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Sucessão no IHGP

A Mata Atlântica é um dos grandes biomas do Brasil. Essa floresta abrange cerca de 15% do território nacional. Originalmente, esse bioma estendia-se por, aproximadamente, 1,3 milhão de quilômetros quadrados, nas áreas litorâneas desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul.  Hoje, restam apenas 7,3% da cobertura florestal original. A história, enquanto a ciência que estuda as sociedades humanas no tempo e no espaço, demonstra que a cobiça e a exploração comercial, levaram a quase destruição dessa floresta. O campo da História Ambiental vem trazendo estudos que tem por objetivo aprofundar como os seres humanos foram, através dos tempos, afetados pelo seu ambiente natural e, inversamente, como eles afetaram esse ambiente e com quais resultados. A obra “A ferro e fogo: A história da devastação da Mata Atlântica Brasileira”, de autoria de Warren Dean, é um livro essencial ao demonstrar, através de uma análise histórica, como determinadas relações humanas levaram à quase destruição da Mata Atlântica. 

As primeiras levas de colonizadores portugueses devastaram esse bioma em prol de seus interesses. Um dos primeiros atos dos marinheiros portugueses que, em 22 de abril de 1500, alcançaram a costa da floresta, foi derrubar uma árvore com um machado. Do tronco dessa árvore, confeccionaram uma cruz, para eles, o símbolo de salvação da humanidade. Uma missa foi então celebrada aos pés desta cruz. A primeira missa no Brasil, representada na pintura de Victor Meirelles, retrata esse momento, representando os portugueses de joelhos cruzados, diante de uma cruz, os indígenas estupefatos observando a cena, e, no fundo, no terceiro plano, uma imensa e vasta floresta. Os relatos sobre a “descoberta” do Brasil, são, na verdade, assustadores, pois demonstram como a floresta foi saqueada. Na visão dos colonizadores, os recursos da floresta eram infinitos, cuja exploração e cobiça levou a uma imensa destruição. 

Warren Dean nos lembra, que durante quinhentos anos, a Mata Atlântica propiciou lucros fáceis, escravos, pau-brasil, papagaios, corantes, ouro, orquídeas, bromélias e madeiras para o proveito dos colonizadores e senhores coloniais. Entre os brasileiros que estudaram a história da Mata Atlântica e, contemplaram a presença de suas majestosas árvores, a Floresta Amazônica provoca um alarme e presságio. Para o autor, o último serviço que a Mata Atlântica pode prestar, de modo trágico e desesperado, é alertar sobre os impactos da destruição que podem ocorrer ao nosso outro imenso e rico bioma.

Referências bibliográficas

DEAN, Warren. A ferro e fogo: A história da devastação da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

WORSTER, Donald. Para fazer história ambiental. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 4, n. 8, 1991, p. 198-215.

SOS Mata Atlântica. Cartilha aqui tem mata 2ª edição. Disponível em: https://cms.sosma.org.br/wp-content/uploads/2021/05/aquitemmata2021V6.pdf 

Priscila Onório Figueira

Historiadora- IHGP biênio 2021-2022.