Profª Lúcia Helena Freitas da Rocha
Ao celebrar o dia de Tiradentes, é inevitável refletirmos sobre a Inconfidência Mineira, a cobrança excessiva de tributos à época, a derrama.
Desde 1965, comemora-se, em 21 de abril, o Dia de Tiradentes, alcunha de Joaquim José da Silva Xavier, um dos líderes da Inconfidência Mineira. A figura de herói nacional, no entanto, nem sempre acompanhou o inconfidente – há quem defenda que essa foi uma construção histórica, iniciada quando o Brasil se tornou uma República.
Com o tempo, Tiradentes passou a representar a identidade republicana no Brasil. A primeira grande festa em sua homenagem aconteceu no dia 21 de abril de 1890, com uma solenidade presidida pelo marechal Deodoro da Fonseca. Somente em 1965, o marechal Castelo Branco sancionou a Lei nº 4.897, que estabeleceu o dia 21 de abril como feriado nacional e Tiradentes como Patrono da Nação Brasileira.
O Dia de Tiradentes costuma reafirmar uma imagem conhecida: a de Joaquim José da Silva Xavier em uma caracterização próxima à de Jesus Cristo, com o mineiro retratado como herói da liberdade, precursor da Independência e mártir de um projeto coletivo de nação.
O Mártir da Inconfidência Mineira, com um crucifixo na mão, viveu a via sacra diante do povo carioca. Execuções públicas não têm valor pedagógico, mas representam a forma mais crua de dominação simbólica.
Que este 21 de Abril, nos inspire a sermos aqueles que buscam a liberdade, ainda que tardiamente. Três séculos depois, ainda temos lacunas a preencher em nossa sociedade. E para reduzir os machucados incuráveis de nosso povo, é necessário coragem. Haverá repressão, dúvida e medo, mas os frutos a se colher no futuro compensam uma luta conflituosa. A luta diária por independência gera desconfiança, podendo tirar até uma vida. Entretanto, trezentos anos depois o que não se pode tirar, é a grandeza e determinação de Tiradentes e seu exemplo patriótico a ser seguido.
Celebremos a coragem de quem sonhou com um país independente. Que o espírito de Tiradentes nos inspire a lutar sempre por nossos ideais.
Respeitemos a nossa história, “Liberdade, ainda que tardia.”





