No próximo dia 20 de outubro, quando se completam 187 anos do nascimento de Iria Correia, celebramos o legado da primeira pintora paranaense, que uniu arte e música e segue viva na memória e nas exposições que honram sua obra.
Em Paranaguá, o sobradinho da Rua Marechal Alberto de Abreu, nº 8, já não existe, ele se situava quase na esquina da atual rua XV de Novembro.
O tempo apagou a construção que, em 20 de outubro de 1839, abrigou o nascimento de Iria Cândida Correia. Mas a memória daquela que seria a primeira pintora paranaense permanece viva — e, num passado recente, ganhou novo destaque.
Iria Correia foi a primeira filha do Paraná a exercer a arte da pintura e a utilizá-la como meio de subsistência. Antes dela, pintores estrangeiros percorriam a província; ela, porém, fez do pincel ofício e destino. Dedicou-se especialmente aos retratos e alcançou resultados surpreendentes para a época. Suas obras, ainda hoje, ostentam-se ao lado das melhores produções da atualidade. Mas Iria não foi apenas pintora. Estudou música, lecionou piano e tornou-se educadora e maestrina. O Dr. Leoncio Correia certa vez afirmou: “Iria Correia não foi apenas uma bizarra cultora da arte pictórica: foi, também, uma grande educadora e uma inspirada maestrina. Educou e instruiu mais de uma geração de moças parnanguaras, e a quase todas as jovens das margens do Itiberê. Compunha, executava e fazia executar. E de tal forma o seu método de ensino era uniforme e hábil, que houve época em Paranaguá, que se tinha a impressão de que todos os pianos eram tocados pelas mesmas mãos.”
Sua personalidade marcante também se revelou nas letras. Colecionou com cuidado, em primoroso álbum, flores raras encimadas por quadrinhas que compunha.
Morreu em 1887, aos 48 anos, na mesma cidade que a viu nascer. Dizia-se que faleceu no mesmo sobradinho onde viveu, em plenitude de lucidez mental. Como suas pinturas, não envelheceu: conservou até o fim o ar de inspirada e sonhadora. Em 1948, seus quadros foram situados em lugar de destaque no 2º Salão Feminino Paranaense de Pintura, visando à Exposição Feminina Interamericana de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
Em 27 de março de 2019, o Museu Paranaense (MUPA) abriu a exposição individual “Em foco: Iria Corrêa”, com curadoria de Amélia Siegel Corrêa e Giselle de Moraes. A mostra reuniu obras do acervo e de coleções particulares, objetos pessoais e uma fotografia (daguerreótipo) pouco conhecida da artista, do acervo do IHGP. O evento integrou a programação do Mês das Mulheres da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (SEEC), evidenciando o protagonismo feminino nas artes.
No mesmo ano, a artista integrou a importante exposição coletiva “Histórias das mulheres”, no Museu de Arte de São Paulo (MASP – São Paulo, SP), que apresentou obras de seu acervo preservadas no Museu Paranaense. Em Paranaguá, o Largo Iria Correia perpetua o nome da primeira pintora paranaense, homenagem que mantém viva sua memória na história da cidade.
Referências: Florescimento das artes no Paraná – Pompília Lopes dos Santos
Museu Paranaense – MUPA





