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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

ELE FEZ O PRESÉPIO MECANIZADO

Publicado

em

Lúcia Carolina Rosa da Silva

Pelos idos de 1945, em Paranaguá, um senhor Manuel da Cunha Picanço, mais conhecido como Manequinho, com sua imaginação, montou um pequeno presépio em sua residência recebendo sem cobrar nada a visita da comunidade parnanguara durante as festas natalinas. 

A porta de sua casa era aberta aos visitantes, tendo na sala da frente montada a fábrica de sonhos. 

Ele realizava todo o trabalho de montagem valendo-se da ajuda de familiares para a confecção das peças, num trabalho artesanal usando papelões, papéis, tintas, serragem colorida, musgos, tecidos, palha, madeira, bastante correia e motor. Montava, então, uma vila cabocla, onde dava vida a bonecos confeccionados de papelão pintados, vestidos com chita, remendos, lenços, cabelos de lã e movidos através de barbantes que não eram percebidos. O cenário, representando o céu e uma montanha, era feito com papel pardo pintado. Os bonecos subiam e desciam a montanha e todos se movimentavam. Até os que estavam sentados ou parados mexiam as mãos ou os pés. Havia uma igreja tal qual a de São Benedito com um galinho na torre. Um homem cutucava um gato com uma vara. Um menino cutucava uma árvore para tirar frutas. No colo de uma mulher sentada, um moleque apanhava com uma varinha. Dois homens, com um serrote, cortavam um tronco de árvore ao meio. Outro afiava um facão. Uma mulher, com uma cesta na cabeça, subia o morro atrás dos trabalhadores que levavam sobre os ombros enxadas, foices e machados. Outros carregavam feixes de lenha e todos davam a volta no morro.

Tudo era movimento. As crianças ficavam extasiadas e os adultos emocionados. Havia lago e rio com patos, pedras, flores e um menino pescando. Uma mulher socava um pilão e outra tirava água do poço com balde. Movimentos lindos e vivos. O vilarejo era todo ornamentado com caminhos, flores e, no canto direito, ficava a manjedoura com o menino Jesus, Maria e José, um burrinho e uma linda estrela no teto da gruta. Havia um rio com monjolo, uma mina com carrinho que subia e descia.

O presépio foi montado durante muitos anos na sala da frente da casa de seu Manoel da Cunha Picanço, na rua Conselheiro Sinimbu, entre a Catedral e a igreja de São Benedito.

Mais tarde, houve uma apresentação na rua Marechal Alberto de Abreu, centro histórico, já em menor tamanho devido ao espaço.

Seu Manoel da Cunha Picanço era funcionário federal da Saúde dos Portos e, ao aposentar-se, continuou o seu tão dedicado trabalho social.

A última apresentação do inesquecível presépio de “Seu Manequinho” foi no ano anterior à sua morte que ocorreu em 14 de agosto de 1959, com 68 anos.

Já com a saúde abalada no Natal de 1958, fez questão de montar com sacrifício seu sonho de amor pela humanidade: o Presépio para os parnanguaras.

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