Alessandro Pires Staniscia
Orador do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá
Nascido em Paranaguá no dia 6 de agosto de 1847, Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul, foi um homem cuja visão singular e humanismo o colocaram muito à frente de seu tempo. Formado com distinção em Humanidades no Rio de Janeiro, ele construiu uma trajetória pautada nas necessidades coletivas e na busca por soluções que trouxessem benefícios a todos. Sua vida fundamentou-se em três pilares essenciais: o apoio a Escolas, a criação de Sociedades Recreativas e o incentivo às Associações de Classe.
Na esfera pública, destacou-se como um abolicionista convicto. Ao assumir a presidência da Câmara Municipal de Curitiba, firmou o compromisso público de promover a emancipação dos escravizados no município. Sua brilhante carreira política incluiu ainda os cargos de camarista, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província. Durante um quarto de século, nenhuma questão relevante no Paraná era decidida sem que ele fosse, no mínimo, um dos mentores da iniciativa, quer como homem de negócios e político de prestígio.
No campo dos negócios, seu impacto foi colossal. Retornando a Paranaguá em meados da década de 1860, mergulhou no comércio, integrando a província a grandes centros da época, como Uruguai e Argentina. Em 1872, casou-se com D. Maria José Correa (irmã de Leocádio José Correa) e, em 1874, construiu um engenho de erva-mate em Antonina. Entre 1870 e 1890, consolidou-se não apenas como o maior exportador do Paraná, mas como o maior produtor de erva-mate do mundo.
Seu engajamento cívico e associativo o levou a fundar o Clube Curitibano em 1882 e a ser cofundador da Associação Comercial do Paraná (ACP) em 1º de julho de 1890, assumindo o posto de seu primeiro presidente. O devido reconhecimento por sua grandiosidade teve início ainda no Império, quando, em 8 de agosto de 1888, a Princesa Isabel lhe concedeu o título de Barão do Serro Azul. Em 20 de maio de 1894, foi sumariamente executado durante a Revolução Federalista, no trecho “Km 65” da Estrada de Ferro, Paranaguá-Curitiba.
Na história recente, a consagração nacional se concretizou há 17 anos: em 15 de dezembro de 2008, por meio da Lei 11.863/2008, ele foi declarado Herói da Pátria, com seu nome inscrito no Panteão da Liberdade e Democracia, em Brasília. Em Curitiba, ele nomina uma importante avenida central e é homenageado com dois bustos de bronze: um na Praça Miguel Couto (a Pracinha do Batel) e outro na Rua XV de Novembro, em frente à sede da ACP.
Como vimos, o Império, a República e a cidade de Curitiba já conferiram justas e merecidas glórias ao nosso ilustre filho. Hoje, já passou do tempo de sua cidade “Mãe”, Paranaguá, fazer justiça e render a merecida homenagem ao filho seu.
Fontes e Referências Bibliográficas:
- MONTEIRO, Nilson. Pedaços de Muita Vida – A História dos 122 anos da Associação Comercial do Paraná.
- Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4). Disponível em: https://www.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=noticia_visualizar&id_noticia=20032





