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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

As impressões da cidade de Paranaguá feitas pelo viajante Auguste Saint-Hilaire

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Sucessão no IHGP

Nascido em 4 de outubro de 1779, Auguste François César Prouvençal de Saint-Hilaire pertencia a uma rica família de orleanenses (Loiret). De todos os viajantes estrangeiros que visitaram o Brasil, Saint-Hilaire (1779-1853) é talvez o que conseguiu a maior notoriedade. Um dos seus trabalhos mais conhecido no Brasil trata-se de seus relatos e escritos que compõe cerca de três mil páginas que compõem o relato de suas expedições. As quatro partes (oito tomos) de seu livro Voyages dans l’interieur du Brésil, (Viagem ao interior do Brasil), foram publicadas entre 1830 e 1851 por editoras parisiensis. No Brasil, os primeiros exemplares de seu relato foram traduzidos, a partir de 1845. Apenas na segunda década do século XX que as traduções integrais dos vários tomos de suas viagens começaram a ser publicadas, sob títulos diversos e publicados por diferentes editoras brasileiras. O trajeto e relatos de sua viagem entre Curitiba e Paranaguá foi publicada sob o título “Viagem à Comarca de Curitiba”. 

Saint-Hilaire fez todo o trajeto de Curitiba até Morretes por uma estrada íngreme e escorregadia.  O viajante relatou que foi necessário aguardar as chuvas intensas pararem para realizar a travessia da Serra do Mar. As malas do viajante foram levadas por mulas, animais que o impressionaram pela habilidade e força na condução de suas malas na estrada perigosa que levava até Morretes. Impressionou aos seus olhos a imensidão das florestas e a vista do Pico Marumbi. Quando chegou em Morretes, continuou o trajeto até a baía de Paranaguá através de uma embarcação. 

Ao chegar à cidade de Paranaguá, relatou que todos os edifícios públicos eram construídos de pedras e destacou a beleza da igreja de Nossa Senhora do Rosário. Algo que não o agradou foi o clima extremamente úmido e o calor quase insuportável, semelhante ao clima do Rio de Janeiro. Durante sua estadia, chegou a visitar a Ilha da Cotinga, a capela do Rocio, anotando os detalhes da vegetação encontrada em cada espaço. Finalizando sua estadia, seguiu em direção a Guaratuba. O percurso foi feito em duas canoas conduzidas por remeiros de Paranaguá. O trajeto permeado pelas ondas, ventos e balanços preocupou o viajante, contudo, após longas horas chegou são e salvo a baía de Guaratuba. 

Referência bibliográficas

SAINT-HILAIRE, Auguste de.  Viagem à comarca de Curitiba: 1820. trad. de Carlos da Costa Pereira. São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1964.

Biblioteca Nacional Digital. As viagens de Auguste de Saint-Hilaire. Disponível em: http://bndigital.bn.gov.br/dossies/dossie-antigo/matrizes-nacionais/figuras-de-viajantes/as-viagens-de-auguste-de-saint-hilaire/ 

Priscila Onório Figueira

Diretoria de História do IHGP- biênio 2021-2022