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Educação com Ciência

A neurobiologia do sonho

O sono não é apenas um período de repouso, mas uma ação necessária ao equilíbrio da saúde e da vida

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O sono não é apenas um período de repouso, mas uma ação necessária ao equilíbrio da saúde e da vida. Para o cérebro, constitui-se como um período de restauração das células e vias neurais, da revisitação das experiências do dia e consolidação das memórias. O sono é definido como um estado de inconsciência. Apesar do corpo ganhar relativa imobilidade o cérebro está em intensa atividade.

O sono possui fases distintas, indo desde a fase inicial de leve sonolência à fase do sono REM (sigla em inglês que significa: rapid eye movement – “movimento rápido dos olhos”). O sono REM, também conhecido como sono dos sonhos, é identificado pela fase profunda do sono, com ciclo de duração de 90 a 110 minutos.  

Com os últimos acontecimentos que o mundo vem enfrentando, as pessoas têm relatado, e muitos de nós já experimentamos durante a quarentena, sonhos mais reais e com situações específicas do cotidiano.

De forma a definir, os sonhos são uma sequência psíquica com representações de imagens, situações, atos e ideias vivenciadas durante a vigília. Essa observação foi descrita por vários estudiosos pioneiros da biologia dos sonhos, embasados no legado psicanalítico deixado por Freud e Jung.

Para Freud, os sonhos trazem em sua “mensagem” desejos disfarçados. Uma via de representação de fantasias proibidas reprimidas durante o dia e que ganhavam motivação inconsciente durante o sono.

Jung, por sua vez, considerava os sonhos representações simbólicas subjetivas, ou seja, padrões de pensamentos que nos personificam. Não tendo direta relação com os desejos ocultos, mas sim, com a maneira que levamos a vida.

Estudos mais recentes realizados na Universidade de Harvard, propõem a hipótese de “ativação-síntese”, a qual explicitamente rejeita as inter­pretações psicológicas.

As pesquisas realizadas por Bear, Connors e Paradiso (2006) evidenciam que os sonhos são associações e memórias registradas pelo córtex ce­rebral. Durante o sono REM esses registros sofrem descargas aleatórias, recebendo informações de outras áreas do cérebro, como o tálamo e a ponte, provocando a síntese de imagens e/ou emoções conhecidas pelo indivíduo. Mesmo quando o sonho não aparenta ter sentido o córtex tenta sintetizar imagens no intuito de criar um contexto.

Contudo, mesmo com novas evidências explicativas sobre os sonhos, a hipótese dos teóricos não explica a extravagancia dos sonhos, nem a recorrência dos mesmos, noite após noite.