Os holofotes se voltam para ela: Tatiana Coelho de Sampaio. Bióloga e professora, reacendeu em muitos de nós a esperança, sobretudo entre aqueles que convivem com paraplegia ou tetraplegia, ao desenvolver, na UFRJ, uma promissora fórmula para a recuperação de lesões medulares.
Atualmente, enfrenta uma rotina intensa. Além dos compromissos habituais, precisou acrescentar à agenda uma série de entrevistas, nas quais explica, repetidas vezes, o estudo que envolve a polilaminina e os resultados pós-operatórios alcançados com a substância em alguns pacientes.
Sua fala é didática. Recorre a analogias para tornar compreensível o complexo universo técnico que compõe seu cotidiano, consciente de que não faria sentido apresentá-lo com arrogância, como se ocupasse um pedestal ou se mantivesse inacessível. Ao contrário, revela simplicidade, humildade, cuidado com as palavras, simpatia e precisão.
Leva ao conhecimento público anos de dedicação científica e, como reconhecimento, recebe aplausos e homenagens.
Por essas paragens, sabemos: há verbas para quase tudo, menos para o que realmente importa. Há cerca de uma década, o corte de recursos na UFRJ resultou na perda do registro da patente internacional. Foi um retrocesso. Esse quadro tampouco inspira as novas gerações que, descrentes, podem ver seus sonhos se dissiparem. Assim, perdem-se talentos capazes de contribuir de maneira significativa para a ciência e para o futuro do país.
E a patente nacional? Solicitada em 2007, foi concedida em 2025, dezoito anos depois. Considerando que sua validade é de vinte anos, restam apenas dois para expirar. Em nações desenvolvidas, o trâmite de registros, a pesquisa e a inovação recebem estímulo e respeito. Valoriza-se o que está sendo criado e quem se dedica a criar. Como se não bastasse, o registro brasileiro só se concretizou porque, durante determinado período, a cientista assumiu os custos do processo com recursos próprios.
Nesse contexto, cidadãos que preservam o senso de responsabilidade e cumprem rigorosamente com suas obrigações fiscais, mesmo cientes de que parte expressiva desses valores abastece esquemas de corrupção, sentem-se, no mínimo, constrangidos.
No país do “tudo acaba em pizza”, estudos consistentes sobrevivem graças à perseverança e ao empenho de profissionais como a bióloga Tatiana. Antes de ter o nome difundido pela mídia e de ocupar espaços de destaque, foi nos bastidores que sua trajetória se consolidou.
Foram quase três décadas de muito estudo, ao longo das quais a doutora enfrentou, em silêncio, o descaso das autoridades e a escassez de incentivos. Vieram também a expectativa diante de novas possibilidades, as alegrias e frustrações do percurso, a angústia diante das incertezas e, acima de tudo, a determinação em seguir adiante, a bravura e a persistência: marcas de quem aprende a transformar desafios em sabedoria.
Sem dúvida, ver uma mulher à frente de uma pesquisa de tamanha relevância é motivo de orgulho.
Ainda assim, permanece a pergunta: já imaginou o que este país poderia ser e realizar se houvesse seriedade na destinação de recursos públicos?





