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Crônicas

Feliz ano novo!

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Era dezembro, em um encontro de amigos ouvi alguém dizer: “Eu desejo que o próximo ano seja 100%”.

Força de expressão, claro. 

Tudo dentro de uma linha reta, fechando bonito o balanço da vida, nada fora do lugar, perfeito, impecável, correto, primoroso, virtuoso, imaculado? Sabemos muito bem que a vida não é linear.

Para o ano que logo fará sua estreia, quero dias ensolarados, todavia também desejo que a chuva caia para que eu possa ficar aconchegada no meu canto, na minha cama, nos meus lençóis e no travesseiro que tão bem me reconhece.

Quero ter ideias novas para preencher a coluna do jornal, porém que não faltem aqueles dias em que as palavras tomam chá de sumiço e, consequentemente, bate o desespero por não saber o que escrever. São, justamente, esses dias que me fazem perceber que não estou no controle de nada, que os altos e baixos se instalam, que o bloqueio criativo faz visitas, e que tenho dias de muita produção e outros em que não escrevo nem uma linha. 

Quero que meus amigos não se cansem de mim, continuem me convidando para sair e enviando muitas mensagens, mas que, sobretudo, sejam compreensivos quando decido ficar em silêncio.

Quero um mundo com mais tolerância, pois, na teoria, há uma enorme propaganda de aceitação do outro com tudo que ele traz, mas, na prática, a humanidade é péssima em acolher quem não compactua com as mesmas ideias, com quem não carrega o mesmo tom de pele, com quem não tem a mesma opção sexual que a nossa. Ainda não sabemos lidar com a diversidade que o planeta comporta. 

Quero dias calmos, pitadas de ociosidade, tranquilidade, leveza, mas não sempre. Também sou feita de urgências, de natureza produtiva, de concretizações. Realizar é um verbo que me veste bem. 

Quero ler, estudar, movimentar, ter sonhos alcançáveis, bem como continuar com meus pensamentos em alta voltagem.

Quero discernimento para enxergar meus erros, ser grata a quem me estende a mão, ter a humildade de pedir desculpas e a sabedoria para manter distância de gente arrogante.

Quero continuar sendo eu, esse ser passível de falhas e cheia de imperfeições. Entretanto, que não me falte a persistência, a vontade de viver, a loucura pela liberdade, a disciplina e a alternância de ora manter os pés no chão e ora mantê-los bem longe dele.

Não quero os 100%. E sim, lacunas, espaços, vãos, brechas, hiatos, qualquer coisa que sinalize que ainda há muito a ser preenchido.

P.S.: De uma amiga, recebi a seguinte mensagem: “Que no próximo ano, você continue a bailar com as palavras”. Caros leitores, espero que me acompanhem no bailado! Feliz ano novo para todos nós!

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