Connect with us

Centro de Letras

Água da Praça

Como vimos anteriormente, antes mesmo de ficar pronta, a Praça Municipal virou Praça Comandante João Gualberto.

Publicado

em

Como vimos anteriormente, antes mesmo de ficar pronta, a Praça Municipal virou Praça Comandante João Gualberto. Naquela época, uma nota no jornal curitibano “A República”, comentando sobre a visita do ministro turco à capital da Bulgária, contou que um dos integrantes do evento afirmou na despedida: “todos aquelles que um dia, beberam água do Vitoscha tornam a voltar”. Segundo o jornal, tal superstição era encontrada em diversos locais, inclusive em Paranaguá, onde dizem: “quem bebe a água da Fonte Nova, lá fica”. A fonte existia desde o século XIX e já encontramos notícia sobre o poder púbico realizando manutenção na Fonte Nova e também na lavanderia em 1862. Por conta disso, quando a prefeitura seguiu o modelo moderno de urbanização e decidiu aterrar aquela região pantanosa, tanto a fonte como o local onde as mulheres lavavam roupa – ambos representantes de uma Paranaguá antiga e ultrapassada – acabaram no meio do caminho do progresso.

A Prefeitura salvou a Fonte Nova do aterro, mas inaugurou sua rede de água potável encanada em janeiro de 1914, arremessando o antigo sistema de distribuição com fontes e carroças pipas diretamente ao passado. O impacto foi imediato: apenas dois meses depois, o encarregado pela Fonte Nova e responsável pelo abastecimento das carroças, alegando queda da demanda e dos rendimentos, não renovou o contrato e forçou a Prefeitura a negociar um salário para continuar realizando o trabalho.

No início de março, a previsão para finalização do aterro era de poucas semanas, “prestando-se assim, um grande melhoramento à cidade”. A Fonte Nova escapou naquele primeiro momento, mas a velha lavanderia precisava sumir. O jornal local, totalmente alinhado ao modelo moderno de urbanização e higiene, mesmo reconhecendo as dificuldades decorrentes da falta de esgotos, apoiava a demolição.

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana