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Ciência e Saúde

70% das crianças não foram vacinadas contra a pólio e sarampo em Paranaguá

Vacinas estão sendo disponibilizadas nas unidades de saúde até o dia 31 de agosto

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Secretaria Municipal de Saúde e Prevenção afirma que cobertura vacinal é preocupante

Vigente desde o dia 6 de agosto em todo o Brasil e em Paranaguá, a campanha de vacinação de crianças de 1 ano até 4 anos, 11 meses e 29 dias, contra a poliomielite e sarampo está com uma adesão baixa faltando cerca de 10 dias para o fim da campanha, que acontece dia 31 de agosto. A meta inicial de vacinação é de 95% das crianças da faixa etária do público-alvo fixado pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), no entanto apenas 30% receberam as doses até terça-feira, 21. Ou seja, 70% do público infantil que é alvo da campanha não tomou as vacinas em Paranaguá.

De acordo com a Semsap, nem mesmo o Dia "D" de Mobilização Nacional, ocorrido no sábado, 18, na rede municipal de saúde, superou as expectativas de vacinação entre o público-alvo. Nesta data em questão, o município organizou o atendimento de forma centralizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) na Gabriel de Lara e na Vila Santa Maria durante todo o dia. Além do Dia "D", de acordo com o município, desde o dia 6 de agosto um total de 17 unidades de saúde de Paranaguá estão oferecendo as doses contra o sarampo e a pólio.

Segundo balanço da pasta municipal de Saúde, no Dia "D" apenas 351 doses da vacina contra o sarampo e a poliomielite foram aplicadas no município. “É preciso imunizar as crianças. É preocupante a baixa adesão, especialmente após os registros de casos de sarampo em todo o Brasil”, ressalta o secretário de Saúde e Prevenção, Paulo Henrique de Oliveira, reforçando a responsabilidade dos pais e responsáveis em levar os filhos para serem vacinados.

"Das 8.893 crianças que devem ser imunizadas em Paranaguá, somente 2.066 foram vacinadas contra a poliomielite e 2.069 contra o sarampo até o momento. Desta forma, mais de 5 mil crianças ainda não estão protegidas contra as duas doenças", destaca em nota a Secretaria de Saúde.

MPPR: PAIS QUE SE RECUSAREM A VACINAR PODEM SER RESPONSABILIZADOS JUDICIALMENTE

Promotora de Justiça, Luciana Linero, explica que crianças possuem direito à vacinação (Foto: MPPR)

A preocupação com a vacinação contra o sarampo e a poliomielite, bem como com as notícias falsas e boatos espalhados sobre a aplicação das doses, fez com que o Ministério Público do Paraná (MPPR) se posicionasse sobre o assunto no dia 10 de agosto. "A volta de surtos de sarampo em algumas regiões brasileiras e a queda nos índices de cobertura da vacinação em diversas cidades colocou autoridades sanitárias de todo o País em alerta. Tanto que, até 31 de agosto, acontece campanha nacional de vacinação contra a doença para crianças de até 5 anos", informou a assessoria. Um dos motivos da volta do sarampo em alguns Estados do Brasil se deve ao fato da ausência de vacinação nos últimos anos, algo que está se repetindo, até agora, em Paranaguá.

De acordo com a promotora de Justiça, Luciana Linero, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Criança, do Adolescente e da Educação, do MPPR,  a vacinação é um direito da criança, garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), entre outros expedientes legais, e um dever dos pais. “Os pais ou responsáveis são obrigados a levar os filhos para vacinar, conforme indicado pelo calendário nacional de vacinação. O descumprimento disso pode indicar violação de dever inerente ao poder familiar”, explica a promotora.

A assessoria do MPPR afirma que Promotorias de Justiça de todo o Paraná estão realizando ações "reforçando a importância de mobilizar as redes de proteção à infância e à juventude em suas comarcas para que fomentem a participação de toda comunidade na campanha de vacinação", explica. Além da questão da conscientização, a recusa deliberada dos pais ou responsáveis em se fazer a vacinação das crianças pode ser noticiada ao Conselho Tutelar e ao MPPR, algo que, inclusive, pode acarretar responsabilização judicial dos pais. “Casos extremos podem indicar até a destituição do poder familiar. Também existe a possibilidade de responsabilização criminal, pois, para além do direito individual da criança, a observância do calendário de vacinação está atrelada a uma estratégia nacional de saúde pública, que afeta toda a população”, afirma a promotora Luciana Linero.

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