Logotipo

Novo Mundo

06 de fevereiro de 2019

Compartilhe

No texto anterior, afirmei não ter existido um cordão sanitário geográfico separando ricos e pobres na Paranaguá do início do século XX, entretanto, isso não significava igualdade de acesso às áreas urbanas e nem mesmo uma convivência pacífica entre as classes econômicas. Havia algumas ruas (e trechos de ruas) historicamente reservadas à prostituição, ao jogo e à bebedeira, consequentemente reuniam a população mais pobre também. Durante o processo de urbanização e paisagismo, alguns destes locais, como praças e vias reformadas, foram ocupados pelos grupos sociais dominantes. Por conta disso, classes diferentes passaram a dividir o mesmo espaço, resultando em um choque de costumes – certos hábitos deveriam sumir!

Principalmente no governo de Caetano Munhoz da Rocha, percebemos a chegada do projeto modernizador em Paranaguá, tentando acabar de vez com a antiga sociedade colonial e agrária, não apenas melhorando a infraestrutura (combatendo a sujeira na cidade e a poluição do rio Itiberê), mas também transformando práticas sociais, atacando costumes e impondo novos discursos normatizadores. O futebol, o Carnaval, as mulheres e os menores de idade (os meninos nas ruas), foram alvos importantes desta padronização social. Entretanto, o uso dos espaços públicos também sentiu o impacto da modernização e novas normas de comportamento deveriam ser incorporadas.

Esta ação governamental ocorreu com a alteração da legislação e com pressão policial, mas também a partir do convencimento, buscando mostrar as benesses de alterar velhos hábitos e aceitar a modernidade, mais limpa, moral e saudável. O novo mundo, a modernidade em forma de projeto político – de cima para baixo, como historicamente acontece – buscava deixar todos os parnanguaras iguais, impondo um padrão de comportamento. O maior obstáculo ao projeto modernizador (como ocorre sempre) foi desconsiderar toda a desigualdade econômica e cultural da população.   

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana

Fotos