Paranaguá e o Litoral possuem um conjunto de instituições, empresas, universidades e organizações que podem atuar de forma integrada na busca por soluções para os desafios da região. Esse é um dos princípios do chamado ecossistema de inovação, tema abordado pelo professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e chefe da Seção de Inovação e Empreendedorismo, Leandro Ângelo Pereira, o Tico, durante entrevista ao vivo nos estúdios da Folha do Litoral News.
Segundo o professor, o conceito pode ser entendido como uma rede formada por diferentes atores que compartilham informações e conhecimentos para enfrentar problemas ou desenvolver determinado setor. “O ecossistema de inovação é uma rede formada por pessoas ou instituições que compartilham informações e dados para tentar resolver um problema ou porque atuam em um determinado setor ou região”, destacou.
Tico destacou que, no Litoral, essa articulação envolve instituições de ensino, empresas e o poder público. O Sistema Regional de Inovação reúne representantes dos sete municípios, além de universidades, organizações e diferentes setores da sociedade.
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Integração
Para o professor, um dos principais diferenciais do ecossistema está justamente na diversidade de conhecimentos envolvidos. Ele defende que a inovação não deve ficar restrita às universidades, empresas ou instituições especializadas. “Eu particularmente acho que tem muito conhecimento nos povos tradicionais, muito conhecimento nas comunidades de pesca, muito conhecimento das pessoas no seu dia a dia”, disse.
Na avaliação de Tico, a troca entre diferentes áreas é fundamental para que novas soluções sejam desenvolvidas. “Inovação surge dessa troca. É, por exemplo, alguém da comunicação pensando e conversando com alguém da área ambiental, alguém da operação pensando e conversando com a parte de vendas, alguém da parte social pensando e trabalhando com a parte econômica”, explicou.
Porto e tecnologia
A estrutura portuária de Paranaguá também foi apontada como um setor com grande potencial para inovação. Tico destacou a criação do Comitê de Inovação dentro do Porto de Paranaguá como uma iniciativa que reúne diferentes setores para discutir problemas e oportunidades. “No comitê de inovação, você tem representantes dos diferentes setores que atuam no Porto e isso começa a pensar sobre problemas comuns de forma diferente”, disse.

Sustentabilidade
Outro ponto discutido durante a entrevista foi a relação entre inovação, desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Com formação na área ambiental, Tico destacou que o Litoral possui características que podem representar oportunidades para novos negócios e tecnologias voltadas à sustentabilidade. “O Litoral do Paraná sai na frente. A gente recebeu recentemente um pessoal de Barcelona, do ecossistema de inovação de lá, para conhecer algumas das nossas ações aqui”, disse.
De acordo com o professor, representantes estrangeiros demonstraram interesse especialmente pela forma como questões socioambientais vêm sendo incorporadas às estratégias de gestão territorial. “O diferencial socioambiental que o Litoral tem e essa nova forma de olhar para o território”, relatou.
Economia do mar
A chamada Economia do Mar, ou Blue Economy, também esteve entre os assuntos da conversa. Segundo Tico, o conceito engloba atividades relacionadas ao oceano, como operações portuárias, pesca e ecoturismo. “Economia do Mar também pode ser entendida como economia azul ou Blue Economy. São as atividades que têm alguma relação com o oceano”.
Para ele, o desafio é fazer com que diferentes setores trabalhem de maneira integrada, considerando o oceano como elemento de conexão entre as atividades econômicas, ambientais e sociais. “O oceano nos liga, o mar nos conecta e como que a gente pode trabalhar junto para manter o oceano e seguir com as nossas atividades”, completou.
Como participar
Para quem possui uma ideia, projeto ou deseja empreender, Tico apontou instituições que podem funcionar como portas de entrada para o ecossistema de inovação em Paranaguá. Entre elas estão o IFPR, a UNESPAR, o Sebrae e a Prefeitura de Paranaguá, por meio da Secretaria de Trabalho e Inovação. “Quem está pensando em empreender ou quer trabalhar com tecnologia e inovação a partir das suas ideias pode começar por ali, que vai ser bem recebido, vai ser bem acolhido”, finalizou.





