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Polícia

Delegado detalha prisão de acusados de assassinatos com decapitação em Paranaguá

“Esta operação deixa claro que não existe nenhum tipo de poder paralelo no município, existem órgãos constituídos”, afirma o delegado-adjunto, Nilson Diniz

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“Tribunal do Crime” determinava punição das vítimas com assassinatos com esquartejamento e crueldade

No dia 23 de novembro, a 1.ª Subdivisão Policial (1.ª SDP) de Paranaguá da Polícia Civil realizou a operação “Adsumos” que efetuou a prisão de três homens e três mulheres e apreensão de dois adolescentes investigados por dois homicídios ocorridos recentemente em que as vítimas foram decapitadas em cenas de terror em Paranaguá. Outros dois casos semelhantes e atribuídos ao grupo estão sendo investigados. O delegado-adjunto da 1.ª SDP, Nilson Diniz, detalhou o caso e ressaltou o trabalho amplo de investigação realizado pela Polícia Civil até a prisão dos suspeitos, no dia 23, destacando a existência de um “Tribunal do Crime” em Paranaguá e a retirada da sociedade de indivíduos acusados de assassinatos com esquartejamento e requintes de crueldade. 

Segundo o delegado, a investigação iniciou após ter sido encontrado um homem decapitado no dia 25 de outubro, no rio Emboguaçu, no Porto dos Padres. Josemar Martins dos Santos, de 31 anos, morador na região, foi morto a facadas e teve a cabeça cortada e o corpo jogado no rio. No dia 8 de novembro, outro corpo decapitado foi encontrado no mesmo rio e na mesma região. Osmar Teixeira Policarpo, de 35 anos, morador no Emboguaçu, também foi morto a facadas e teve a cabeça arrancada do corpo com requintes de crueldade. Na época do segundo homicídio, Diniz destacou que a Polícia Civil estava muito próxima de prender os autores do crime em sequência, algo que ocorreu poucos dias após a entrevista.

“Foram vários dias seguidos de investigação levantando elementos necessários para definir a autoria deste delito, o qual tinha assinatura, pois os autores, ao decapitar a vítima, queriam deixar uma mensagem. Normalmente a decapitação e extração de órgãos sexuais denotam ocorrência e a prática de crimes sexuais. Nas oitivas com as testemunhas, eles deixaram claro que a morte de Osmar ocorreu devido a um estupro que estaria sendo imputado a ele. Com base nesta notícia que se iniciaram as investigações que tiveram como consequência a identificação de sete pessoas envolvidas neste homicídio”, afirma o delegado. “Outras pessoas também se envolveram na prática deste crime, a seção de investigação apura a qualificação destes indivíduos”, explica.

De acordo com o delegado-adjunto, foram cumpridos na Operação Adsumos cinco mandados de prisão preventiva, um mandado de busca e apreensão e adolescente e seis mandados de busca e apreensão em domicílio. “Foram presas também duas mulheres pelo delito de tráfico de drogas, esposas dos alvos propriamente ditos da operação”, acrescenta Diniz. “Conseguimos elementos que comprovam que há envolvimento destas mesmas pessoas que cometeram os últimos dois homicídios com decapitação com outros dois homicídios ocorridos no início do ano praticados com o mesmo modus operandi”, destaca.

Homicídios com decapitação chocaram sociedade parnanguara e foram gravados em vídeo pelos autores

“TRIBUNAL DE EXCEÇÃO” DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA 

Foi apontada pela investigação da Polícia Civil a existência de um “Tribunal do Crime” em Paranaguá. “Existia um tribunal de exceção composto por integrantes de uma organização criminosa que se reuniam e decidiam o futuro de delinquentes, na maioria das vezes autores de crimes sexuais, mas também delinquentes que estavam trazendo transtornos naquela região onde existia o comando da célula da organização criminosa. Havia a realização do julgamento e também a aplicação da sanção escolhida pelos membros de maior hierarquia na organização criminosa. Com a prisão destes indivíduos, temos certeza de que este núcleo vai se encontrar enfraquecido, mas deixo claro que existem outras pessoas envolvidas, não são somente estas que foram presas. É nisso que a Polícia Civil trabalha para identificá-los, trazê-los aos autos e fazê-los responder por estes delitos”, completa Diniz. 

LIGAÇÃO COM CASOS DO INÍCIO DO ANO

Nilson Diniz afirma que a Polícia Civil trabalha ligando os dois assassinatos com decapitações entre outubro e novembro a outros ocorridos com o mesmo modus operandi no início de 2018. “Não é algo comum o esquartejamento de corpos em crimes ocorridos em Paranaguá e as lesões nas vítimas são semelhantes. Analisando a necropsia de quatro vítimas, é possível ver que possuem as mesmas características. Em tese, podem ter sido praticadas pela mesma pessoa. Fora isso, no histórico criminal destas pessoas que foram vitimadas, elas tinham passagens em delegacia de polícia, duas delas acusadas de crimes de cunho sexual. Com isso, trabalhamos com crimes possivelmente cometidos pelas mesmas pessoas”, explica o delegado.

Segundo ele, nas primeiras oitivas realizadas pela Polícia Civil após as ordens judiciais cumpridas já se chegou a indícios de que estas pessoas seriam autoras de todas as decapitações. “Esta operação deixa claro que não existe nenhum tipo de poder paralelo no município, existem órgãos constituídos, existe o Poder Judiciário, existe a acusação por meio do Ministério Público e existe a polícia investigativa, que é a Polícia Civil. Este trabalho vai ser realizado. Quem se aventurar a realizar homicídios e praticar crimes, mesmo sob o pretexto de trazer uma pseudo-paz, tirando de circulação transgressores, vai ser responsabilizado”, explica.

Acusados foram presos pela Polícia Civil após trabalho de investigação. Há mais suspeitos sendo procurados

VIOLÊNCIA EXAGERADA E ADOLESCENTES ENVOLVIDOS

De acordo com o delegado da 1.ª SDP, os crimes com decapitação foram realizados pelos acusados com violência exagerada e crueldade. “Quem pratica este tipo de delito pratica outros delitos também. Uma pessoa que esquarteja um corpo tem uma frieza extrema, que traz perplexidade aos policiais que atuam na 1.ª SDP. Isto demonstra que se estas pessoas permaneceram em liberdade elas continuarão delinquindo, não somente com atos somente aos transgressores, mas abalando toda a sociedade. Estamos tirando do convívio social pessoas extremamente violentas e tenho certeza de que tiraremos mais”, completa. 

“Temos convicção absoluta que dois adolescentes e, possivelmente, mais um, estavam envolvidos nestes crimes. Em virtude deste fato um destes menores está sendo apreendido por força de mandado de busca e outro está sendo apreendido em razão da droga encontrada em sua posse. O segundo adolescente, embora não haja mandado de busca e apreensão e homicídio, estaremos encaminhando este material ao Judiciário para que o juiz e o MP, caso achem necessário, tomem as medidas cabíveis para que ele seja internado”, ressalta Diniz.

VÍDEOS GRAVANDO DECAPITAÇÕES

Segundo o delegado Nilson Diniz, as decapitações foram gravadas em vídeos pelos autores, o que inclusive chocou os policiais civis envolvidos na investigação. “Oitivas foram realizadas constantemente nos últimos dias, isto possibilitou a identificação e também os elementos que possibilitaram ao Juiz de Direito entender como necessária e imprescindível a restrição da liberdade destas pessoas. Foi um trabalho célere e com qualidade realizado pela Polícia Civil”, completa.
 

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