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Mulher

Dia a dia de catadora de reciclados representa a força da mulher

Dona Josete assume o papel de chefe de família em sua residência

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Josete do Carmo Souza Lopes tem 51 anos e uma história de vida permeada pela superação. As mãos calejadas indicam que o trabalho faz parte de sua rotina. Carrega no semblante as marcas de um passado que ela não esconde.

Natural de Antonina, ainda na infância chegou a morar em um lar para crianças desamparadas. Na adolescência, foi morar com a avó em Paranaguá. Casou cedo e, aos 15 anos, teve o primeiro filho que hoje está com 36 anos.

Dona Josete é a mãe de 9 filhos, o mais novo tem 20 anos. “Cinco deles moram comigo e mais uma netinha. A casa é pequena, mas o coração de mãe é grande”, conta.

Ela mora na Vila dos Comerciários, região onde é bastante conhecida por ser uma mulher guerreira. Acorda todos os dias às 6h para trabalhar, percorrendo as ruas da região com o seu carrinho, fazendo coleta de reciclados e busca por garrafas de vidro,  papelão e garrafas PET.

“Às vezes, passo o dia inteiro trabalhando e outras tenho que voltar em casa ao meio-dia para levar comida na hora do almoço. A gente trabalha de manhã para poder almoçar e assim vamos levando. Meus cinco filhos estão desempregados e a renda semanal de R$ 150,00 é só para comida. Tem vezes que o trabalho rende um pouco mais que isso porque depende muito do dia, mas não há nada que me impeça de trabalhar. Nem mesmo a chuva, nem mesmo a cirurgia de apendicite como aconteceu há alguns anos, quando fui trabalhar recém-operada”, conta.

Após o trabalho de rua na catação de reciclados, dona Josete conta que em casa as atividades não param. “Quando eu chego vou lavar roupa e arrumar a casa. Só descanso quando durmo. Muitas pessoas ficam admiradas, mas a minha vida foi sempre assim”, explica.

Dona Josete recebeu apoio do CRAS no seu bairro. Lá ela aprendeu a fazer artesanato e no grupo Very Good se aperfeiçoou. Após uma semana inteira de trabalho, dona Josete conta os dias para chegar o domingo e participar do show de calouros no Teatro Very Good. "Lá esqueço os problemas. Me divirto e sou feliz. É o meu passeio de fim de semana, adoro estar com o pessoal que canta e dança”, destaca.

Josete ladeada por Ricardo e Debora do Very Good

Apesar de todas as dificuldades, ela agradece a Deus todos os dias.

"É ele que me dá saúde para trabalhar. A vida não é fácil mas eu só tenho que agradecer porque tenho forças para acordar todos os dias e ir à luta. Nada cai do céu”, aponta.

Quando o assunto é o futuro, ela não pensa duas vezes. Seu maior sonho é poder ler e escrever. “Nunca tive oportunidade de estudar, mas tenho fé que esse dia vai chegar”, contou ela, finalizando mais um dia de trabalho.

Dona Josete trabalha o dia inteiro para sustentar a casa

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