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Dia da Mulher

A Mulher deve ser quem e o que ela quiser

Árbitra parnanguara Amanda Lanollete sonha em criar escolinha de futebol feminino em Paranaguá

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Amanda Lanollete tem 28 anos, é formada em pedagogia, atua como assistente administrativo na empresa Rocha, em Paranaguá, e, simplesmente, ama futebol. Até alguns anos atrás, isso soaria estranho para grande parte da sociedade, mas essa visão de que esse esporte é comum somente entre o público masculino tem mudado. A mudança vem justamente de mulheres como Amanda, as quais não se intimidaram por esses rótulos implantados na sociedade e foram praticar o esporte de que gostam. E não foi sozinha, ao lado dela, outras tantas meninas também calçaram suas chuteiras e foram praticar o esporte de sua preferência.

Atualmente, Amanda faz parte do quadro de árbitros filiados à APAF7, onde atua como árbitra representante de mesa

ESCOLINHA DE FUTEBOL PARA MENINAS

O sonho de Amanda, que hoje é árbitra de futebol, é criar uma escolinha voltada exclusivamente para garotas. “Tenho essa vontade para criar, desde cedo, uma base com as nossas meninas, buscando ensinar e aprimorar as qualidades técnicas do futebol e, ainda, auxiliando na educação, ensinando os valores morais e éticos que o esporte nos dá”, disse Amanda.

“Tenho apoiado muitas meninas que, de alguma maneira, se destacam aqui, a não desistirem, a irem em busca de seus sonhos. Paranaguá têm muitos talentos”, enfoca.

Paranaguá possui uma representante na Seleção Brasileira de Futsal Feminino, a Emilly Marcondes, além da jogadora Sheila Lima, que está atualmente no futsal de Telêmaco Borba e a Julia Pereira, que foi para os Estados Unidos atrás de seu sonho de ser jogadora profissional.

A influência para o esporte veio desde muito cedo da família. Segundo Amanda, era comum, quando criança, passar o dia com os primos e tios jogando futebol. Atualmente, ela faz parte do quadro de árbitros filiados à APAF7 (Associação Paranaense de Árbitros de Futebol 7), onde atua como árbitra representante de mesa.

“Ao todo somos cinco mulheres neste grupo, que representa a cidade de Paranaguá em várias competições dentro do Paraná”, contou.

ESPORTE DE MENINO?

Amanda lembra que há alguns anos era mais difícil lidar com a cultura machista, que acredita que o futebol é “esporte de menino”. “Existia aquela desconfiança de que não tínhamos o mesmo conhecimento e habilidade que eles, mas aos poucos fomos mostrando que as mulheres são tão boas e tão fanáticas quanto aos homens no esporte”, frisou a árbitra.

Em Paranaguá, de acordo com ela, não houve muitos empecilhos pelo fato de ser mulher, já que elas dominaram os campos e quadras de futebol.

“Aqui, o público feminino nas quadras está tão grande que dificilmente você encontra esses problemas. Confesso que estamos dominando o esporte, visto que em alguns fins de semana o público feminino nas quadras é muito maior que o masculino, seja para jogar ou torcer por nossos maridos e namorados”, ressaltou Amanda.

Hoje, Paranaguá possui sete equipes femininas que disputam campeonatos e torneios que ocorrem no litoral. “Sem contar as demais mulheres que escolheram o futebol por hobby e batem aquela bolinha para descontrair e se reunir com as amigas”, lembrou Amanda.

Sobre a resistência dos homens em prestigiar o futebol feminino, ela acredita que é preciso mudar a cultura de achar que mulheres não jogam bem.

“Os homens ainda não sabem o quanto as mulheres batem um bolão, vejo isso aqui na cidade, muitos antes tiravam sarro: 'nossa, você joga bola? Ah, deve ser uma perna de pau!' Aí eles vão assistir a uma partida nossa e saem de lá de boca aberta com a qualidade demonstrada pelas meninas em campo. Exemplo disso é a jogadora Marta, eleita pela FIFA, por cinco vezes como a melhor jogadora de futebol do mundo, demonstrando assim a evolução que o futebol feminino teve nos últimos anos”, mencionou Amanda sobre a jogadora Marta, a qual já foi escolhida como melhor futebolista do mundo por seis vezes.

A diferença entre o futebol feminino e o masculino, segundo ela, está na ausência de oportunidades e nas dificuldades de obter apoio financeiro. “Nossas atletas estão tendo que jogar fora do País para serem reconhecidas e sobreviver do esporte, pois o investimento no futebol feminino ainda é mínimo, diferente do futebol masculino, onde as cifras que rondam equipes e jogadores são astronômicas”, lembrou Amanda.

Amanda faz parte da equipe de futebol amador “As de Sempre”

CONQUISTAS

Segundo Amanda, o esporte ainda carece de maiores e melhores apoios financeiros e estruturais. Porém, já há sinais de que isso está mudando. “Já estamos sendo reconhecidas por vários empresários e amantes do futebol que têm nos dado muito apoio para participarmos dos campeonatos femininos que ocorrem aqui em Paranaguá, hoje faço parte da equipe de futebol amador “As de Sempre”, temos inúmeros apoiadores e é graças a eles e à dedicação das nossas atletas que estamos sempre entre as primeiras colocações nas competições da cidade”, destaca.

A árbitra percebe que nos últimos dois anos houve uma grande evolução no reconhecimento do futebol feminino. Prova disso é que neste ano a Copa do Mundo feminina será transmitida na TV aberta. “Sabe quando imaginei que isso fosse acontecer? Nunca!”, revelou Amanda.

SE ARRISQUEM!

O recado que Amanda deixa para as garotas que, assim como ela, amam o futebol e desejam trabalhar ou praticar o esporte é: se arrisquem.

“O trabalho nessa área é maravilhoso e o esporte em si, nem se fala! Nós podemos qualquer coisa, nosso espaço está sendo conquistado aos poucos, porém ele já é enorme, falta apenas vocês para completarem. Não existe idade para a prática e muito menos para o trabalho, basta você querer! Lugar de mulher é onde ela quiser”, reforça a árbitra.

Questionada sobre a possibilidade de ter uma filha e se a incentivaria a jogar futebol, Amanda tem uma certeza. “Não tenho filhos ainda, mas pretendo ter. As primeiras peças do enxoval serão uma chuteira e uma bola de futebol, disso eu não tenho dúvidas!”, finalizou.

“Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância”

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