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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

Sabores e saberes nas receitas caiçaras

Durante as décadas de 1930 e 1940, que começam os primeiros estudos acadêmicos do modo de vida caiçara.

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As receitas típicas do Litoral do Paraná são apreciadas pelo seu sabor único e preparos tradicionais. O pirão de peixe, pirão de feijão, bolinho de camarão, são receitas que têm em comum o uso da farinha de mandioca, ingrediente indispensável na alimentação dos caiçaras. Outras receitas que fazem parte da alimentação local, são a caranguejada, a cambira, o arroz lambe-dedo, todas feitas com o pescado obtido no espaço da Baía de Paranaguá. Falar dessas receitas típicas e de muitas outras, implica falar do modo de vida dos pescadores, pescadoras e das marisqueiras do Litoral do Paraná.

Durante as décadas de 1930 e 1940, que começam os primeiros estudos acadêmicos do modo de vida caiçara. Nesse contexto, as Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras estavam se constituindo no Brasil, a exemplo da Universidade de São Paulo e a Universidade do Paraná, dentro das quais passariam a funcionar os cursos de Ciências Sociais, História e Geografia. No Litoral do Paraná, o modo de vida do pescador-lavrador foi mencionada nos trabalhos de José Loureiro Fernandes e Vera Regina Langowiski, pesquisadores que estavam vinculados a instituições como, o Museu Paranaense, Museu de Arqueologia e Artes Populares, a antiga FAFIPAR e a Universidade do Paraná. Citando brevemente tais trabalhos, José Loureiro Fernandes menciona que o pescador está diretamente ligado à floresta. “Na floresta vai o caboclo coletar a lenha para a sua lareira, frutos, raízes, tubérculos e brotos para a sua alimentação e buscar o solo para praticar sua rudimentar agricultura”. Loureiro Fernandes destaca que para a compreensão do pescador é necessário também compreender os elementos que permeiam sua vida, tais como a sua roça de mandioca e sua relação entre o mar e a terra. “Não se pode compreender o nosso pescador sem a sua tradicional roça de mandioca, a qual lhe fornece a farinha para o pirão, complemento indispensável na sua alimentação cotidiana à base do pescado”. Vera Langowiski, destaca também em sua pesquisa que a base da alimentação do caboclo do litoral paranaense consiste no consumo de peixes, mariscos e farinha de mandioca.

Os estudos, citados acima, foram realizados entre as décadas de 1950 e 1970, e apesar da distância temporal, muitos dos elementos citados por Loureiro Fernandes e Vera Langowiski ainda permanecem na alimentação atual. Uma pesquisa realizada pela EMATER, no ano de 2008, demonstrou que em diversas comunidades de pescadores, o peixe, o arroz, o feijão e a farinha de mandioca, são os alimentos consumidos diariamente pelas famílias. Assim, conhecer as receitas e os ingredientes que compõem cada prato (muitos dos quais já comemos, ou vimos um familiar preparando) é também conhecer a nossa história e a nossa cultura. Afinal, as distintas denominações dadas a quem mora no Litoral do Paraná (bagrinho, caiçara, caboclo) revela aspectos da nossa íntima relação com o mar e com a terra, pois do nosso rico espaço, de estuário e de floresta, encontramos os alimentos que compões as receitas de sabores e saberes únicos.

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