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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

Modo de vida caiçara

14 de dezembro de 2019

Seguindo um caminho semelhante aos textos das semanas anteriores, o presente texto pretende apresentar algumas reflexões sobre o modo de ser caiçara, sobretudo, da invisibilidade, silenciamento e o descaso do poder público com as comunidades de pescadores do litoral do Paraná. Nosso litoral é entrecortado por diversas ilhas, cidades e vilarejos de frente pro mar, comunidades localizadas em meio à mata.

A visita a essas comunidades é uma boa oportunidade de conhecê-las, mas também de presenciar o descaso. O primeiro ponto a ser considerado é a falta de manutenção dos postos de saúde. Outro ponto é a questão das escolas. As escolas existem, mas muitas vezes não existe oferta de Ensino Médio, faltam professores, falta oferta de turmas para os alunos que precisam concluir o nível básico. Falta valorização das estruturas das comunidades, não é raro ouvir a notícia de um trapiche que desmoronou. Falta lazer, oferta de cursos e de atividades culturais. Falta valorização do trabalho do pescador, de uma estrutura que permita aos pescadores armazenar o pescado.

São diversas as dificuldades enfrentadas por quem mora nas comunidades. As gerações mais jovens, em busca de melhores oportunidades de vida, migram das suas comunidades e se estabelecem na cidade. Apesar dos mais jovens migrarem, muitas pessoas por direito permanecem nas suas casas. Pessoas idosas, que mesmo sem um posto de saúde e sem um auxílio, precisam pagar um barco para se locomover até a cidade, para consultar o médico, realizar exames e comprar medicamentos. A pergunta que se faz é: qual a razão para o descaso? Obviamente essa não é uma questão para ser respondida através de uma frase ou linha, contudo, a falta de vontade política em levar serviços básicos e prestar assistência é inegável. Em casos extremos, o descaso com as comunidades têm um sentido, invisibilizar e silenciar.

O caso de Maciel, vila de pescadores localizada em Pontal do Paraná, mostra que o descaso e a violência tem um objetivo. O interesse é construir um porto privado com o dinheiro público, gerar lucro, circulação de milhões, mais para quem? Quanto vai custar? O custo é o silenciamento das pessoas que dependem da pesca. O que se caracteriza como um crime contra as pessoas que vivem lá, um crime contra a população.

Por que não se desenvolve o turismo no litoral, temos uma infinidade de Ilhas e de belezas naturais, pontos que qualquer turista gostaria de visitar. Mas quem vai visitar se nem a estrutura básica para visitação existe?  Por fim, o desabafo do texto é que o modo de vida caiçara, do caboclo, do pescador, seja verdadeiramente respeitado, que seus direitos básicos sejam garantidos, que essas e outras questões sejam resolvidas e, sobretudo, que as vozes das comunidades sejam ouvidas.

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