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Paranaguá 372 anos

Berço de Júlia da Costa, Dr. Leocádio e Fernando Amaro

Pesquisadores falam sobre personalidades imortalizadas na história

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Paranaguá é terra de várias personalidades históricas, as quais se destacaram ao longo do tempo. Poetas, médicos e escritores que deixaram um importante legado de vida, ainda são temas de estudos e pesquisas.

Pesquisadores voluntários que atuam no Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá falaram um pouco sobre estes parnanguaras que foram imortalizados na história.

Júlia da Costa   

Priscila Onório é admiradora das obras de Júlia da Costa

Priscila Onório Figueira é admiradora das obras de Júlia da Costa. Ela conta que teve o primeiro contato com o trabalho da poetisa ainda nos bancos escolares. “Lembro que fiquei fascinada pelas suas poesias e história de vida. Há cerca de um ano, como sócia e membro da Diretoria do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá, me aproximei ainda mais da obra de Júlia e passei a conhecer mais sua história de luta e solidão”, conta.

A Biografia de Júlia Maria da Costa (1844-1911) inspira admiração, pois ela é um símbolo de luta feminina. Priscila ressalta que Júlia era uma mulher inteligente, a qual lutou contra o preconceito e os padrões impostos às mulheres naquela época. É dela a frase “Ser inteligente é um fardo muito pesado para uma mulher”.

Júlia da Costa. Foto: Divulgação/ilustrativa

“Mesmo com tabus e preconceitos, Júlia é dona de uma escrita profundamente apaixonada, ela não tinha medo de demonstrar seus sentimentos e a sua opinião. Escrevia em jornais, revistas e, para a posteridade, deixou suas obras que demonstram o talento admirável da poetisa. No Instituto Histórico existe um espaço chamado ‘panteão dos heróis’, no qual se encontra o jazigo de Júlia da Costa e a transcrição de seu poema Minha Terra”, destaca Priscila.

Dr. Leocádio Correia

O pesquisador Almir Silvério da Silva conta que quando morava em Curitiba na década de 1980, já tinha ouvido falar em Dr. Leocádio, por causa da sua espiritualidade. “Depois, em Paranaguá, quando passei a participar como associado do IHGP, conheci sua biografia e suas ações voltadas para a comunidade”, conta.

Almir Silvério já tinha ouvido falar em Dr. Leocádio mesmo antes de morar em Paranaguá

Almir ressalta que Dr. Leocádio José Correia nasceu em Paranaguá, no dia 16 de fevereiro de 1848, e formou-se em Medicina na Academia de Medicina do Rio de Janeiro.

“Ele clinicou em todo o litoral e também em Curitiba, Ponta Grossa e Castro. Foi inspetor da Santa Casa de Misericórdia, inspetor escolar, jornalista, orador, escritor e poeta. Filiando-se ao Partido Conservador, foi eleito deputado provincial à Assembleia Legislativa, onde, como democrata, assumiu a causa abolicionista”, destaca o pesquisador .

Almir aponta ainda que Dr. Leocádio partiu deste mundo no dia 18 de maio de 1886, vítima de febre perniciosa. “De acordo com os relatos espíritas poucos anos depois do seu desencarne, Leocádio José Correia começou a manifestar-se espiritualmente. Primeiro, no litoral de Santa Catarina e, posteriormente, no Paraná, num trabalho fraterno de atendimento à pessoa humana e na divulgação da mensagem de Jesus, à luz da Doutrina dos Espíritos”, observa.

Fernando Amaro

A pesquisadora Lizangela Pinto Siqueira recorda a infância ao falar de Fernando Amaro. “Quando criança gostava de passear na praça principal da cidade, subir, brincar, correr no coreto. Depois comecei a ver a praça com outros olhos. Como a maioria das pessoas, gostava de sentar e apreciar o movimento saboreando sorvetes nos dias de verão. Lá encontrava os amigos para um bate-papo sobre os mais variados assuntos”, recorda.

Lizangela Siqueira recorda a infância ao falar do poeta Fernando Amaro

Lizangela passou a estudar a vida de Fernando Amaro e descobriu que ainda criança foi morar em Morretes. “Ele teve uma vida curta, faleceu aos 26 anos de uma doença cerebral, trabalhou como guarda-livros. Não tinha muitos recursos financeiros, então, aproveitava para ler nos bancos das praças e embaixo das árvores, quando conseguia algum livro, coisa muito difícil naquela época. Escreveu apenas um livro, o qual foi publicado após sua morte”, observa.

Em 1907, foi inaugurada a praça que leva seu nome até hoje. Sua partida precoce foi um dos acontecimentos mais importantes em Morretes, pelos idos de 16 de novembro de 1857. Em 2021 completará 190 anos, fica a dica para realizar uma grande homenagem para aquele que foi o primeiro poeta paranaense. Em Curitiba, tem até um prêmio que leva seu nome”, finaliza.

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