Na quarta-feira, 6, a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Portuários do Paraná (Sintraport) esteve em Curitiba para uma agenda política em defesa do novo Plano de Cargos e Salários (PCS) dos trabalhadores da empresa pública Portos do Paraná. A pauta central das reuniões foi o projeto que busca corrigir distorções históricas na estrutura remuneratória da categoria e garantir valorização aos empregados públicos que atuam no Porto de Paranaguá.
A comitiva do Sintraport foi recebida pelo deputado estadual Hussein Bakri, líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A articulação do encontro foi uma iniciativa do vereador e guarda portuário Luizinho Maranhão, presidente da Comissão de Assuntos Portuários da Câmara Municipal de Paranaguá.

Segundo o presidente do Sintraport, Rodrigo Vanhoni, a receptividade do parlamentar foi positiva e gerou resultados concretos. “O deputado nos recebeu muito bem, muito bem-humorado, fez diversas perguntas e demonstrou real interesse no tema. Ele nos garantiu apoio total e político à aprovação do novo PCS, apadrinhando o projeto”, afirmou.
Durante o encontro, Bakri fez uma ligação ao diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, que confirmou total apoio à proposta encaminhada ao Conselho de Controle das Empresas Estaduais (CCEE), órgão ligado à Casa Civil.
A agenda seguiu com uma visita à sede da Casa Civil, onde a comitiva foi recebida pelo Diretor-Geral, Maiquel Zimann, e por técnicos do governo estadual. “O deputado Hussein Bakri defendeu o projeto perante os técnicos, deixou claro que não haverá impacto ao tesouro estadual, e que a Portos do Paraná tem saúde financeira para implementar o plano”, relatou Vanhoni.
O novo PCS prevê uma reestruturação completa na carreira dos portuários, com 35 níveis de progressão e uma adequação salarial que varia entre 10% e 25%. “Esse projeto visa dar ao portuário uma oportunidade real de crescimento profissional. Hoje temos um cenário desmotivador, com planos antigos e achatamento salarial”, explicou. “A função da agente de segurança portuária, por exemplo, é análoga à da Polícia Federal. Ainda assim, os vencimentos estão próximos ao salário mínimo regional”, completou.
De acordo com Vanhoni, a nova proposta é fruto de quatro anos de estudos, envolvendo consultorias técnicas, comissões internas e o aval da atual diretoria da empresa. “Esse projeto teve como principal patrocinador o presidente Luiz Fernando, e contou com a participação de representantes tanto da empresa quanto dos trabalhadores. Foi um trabalho conjunto, que resultou em uma proposta justa e viável”.
O presidente do Sintraport destacou ainda que, mesmo com a implantação do novo plano, a folha salarial continuará dentro dos limites legais. “Hoje, os funcionários consomem apenas 19% do faturamento da empresa. Projetando para daqui 30 anos, mesmo com o PCS, esse índice chegaria a apenas 30%. O limite prudencial é de 40%”, explicou.

Para Luizinho Maranhão, o avanço do projeto é motivo de orgulho e reforça o compromisso com a categoria. “Esse plano foi construído com várias mãos ao longo de quatro anos. Um trabalho inédito, feito com diálogo entre empregador e empregados. Eu arrisco dizer que é a primeira vez na história que o portuário tem um quadro que realmente lhe permite sonhar com dias melhores no Porto”, declarou o vereador.
Maranhão também destacou o papel do presidente da empresa pública na condução do processo. “O presidente Luiz Fernando sempre foi receptivo a essa justa causa. Desde o início, entendeu que o portuário merecia valorização. Nossa gratidão a ele, aos demais diretores, e a toda equipe que participou dessa construção”.
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Por fim, o vereador celebrou o apoio institucional conquistado. “Fomos muito bem recebidos pelo deputado Hussein Bakri, que nos levou até a Casa Civil, onde o projeto foi considerado justo e adequado pelos técnicos. A expectativa agora é que a proposta avance rapidamente dentro do CCEE e seja implementada. Estou muito feliz, pois trabalhei muito por essa conquista, que foi um compromisso meu como candidato e como portuário”, concluiu.
CONTEXTO

O Plano de Cargos e Salários em tramitação busca substituir os modelos atuais, considerados ultrapassados e defasados. O plano mais antigo, chamado PUCS, data dos anos 1990 e limita a progressão a sete níveis, com aumentos de apenas 2% a cada dois anos. Segundo o sindicato, por quase 20 anos não há progressão de carreira.
O segundo modelo, implantado em 2015, manteve a limitação de níveis e reduziu salários. A nova proposta busca corrigir essas distorções e valorizar a carreira dos trabalhadores portuários. A matéria segue em análise no Conselho de Controle das Empresas Estaduais (CCEE), e deve ser avaliada nas próximas semanas.





