Política

Moro erra ao atribuir à Copel o aumento da conta de luz

O reajuste pode até ser criticado, mas quem autoriza a tarifa é a ANEEL. No Senado, a retórica política não pode substituir a precisão técnica

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Sérgio Moro (PL) subiu à tribuna do Senado para falar sobre o aumento da energia elétrica no Paraná. O problema não está em questionar o reajuste, cobrar investimentos ou defender o consumidor. O problema está em atribuir à Copel e ao Governo do Paraná uma responsabilidade que, tecnicamente, não lhes pertence da forma como foi apresentada. A Copel pode apresentar informações e pleitos dentro do processo tarifário, mas quem aprova o reajuste e homologa as tarifas é a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A própria Agência estabelece que os processos tarifários são aprovados por sua diretoria e posteriormente formalizados por resolução homologatória.

E aqui está o detalhe que muda completamente o discurso; a própria Copel informa que o reajuste tarifário anual de 2026 teve efeito médio de 20,51% e foi estabelecido pela Resolução Homologatória nº 3.592/2026, com vigência de 24 de junho de 2026 a 23 de junho de 2027. Ou seja, dizer simplesmente que “o aumento é de responsabilidade da Copel” confunde quem participa do processo com quem detém a competência regulatória para aprovar a tarifa.

Moro tem todo o direito de questionar se o reajuste é adequado, se os investimentos são suficientes, se o serviço melhorou e até de defender mudanças no modelo de concessão. Uma coisa é fiscalização; outra é reescrever a competência regulatória para produzir um discurso politicamente conveniente.

Se a intenção é discutir seriamente a conta de luz do paranaense, então o debate precisa começar pela pergunta correta: quem autorizou o reajuste, quais componentes formaram os 20,51%, quais custos foram considerados e qual foi a decisão da ANEEL? A crítica pode ser dura. A cobrança pode ser legítima. Mas os fatos precisam vir antes da narrativa.

No Senado, o microfone pode ser de um senador. A caneta que homologa a tarifa é da ANEEL.


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