Política

José Richa, uma vida pela democracia que ganha passagem permanente no Congresso

Homenagem aprovada pela Câmara reconhece a trajetória do antigo governador do Paraná e resgata a história do marido de Arlete e pai de José Richa Filho, Beto e Adriano

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Há nomes que permanecem na política mesmo depois que a voz se cala. José Richa é um deles. A Câmara dos Deputados aprovou, na quinta-feira, 5 de novembro, a denominação “Túnel José Richa” para a passagem que conecta os Anexos II e IV, em Brasília. Com a resolução já promulgada, o reconhecimento inscreve no cotidiano do Parlamento a memória de um personagem da reconstrução democrática brasileira.

A homenagem nasceu do Projeto de Resolução 113/2023, apresentado pelo deputado Pompeo de Mattos (PDT do Rio Grande do Sul), com parecer favorável do deputado Aécio Neves (PSDB de Minas Gerais). Ao justificar o reconhecimento, o relator destacou a importância de preservar, nos espaços da Câmara, a memória de quem contribuiu para dignificar a instituição.

Por trás do homem público, havia também uma história de família. Nascido em São Fidélis, no Rio de Janeiro, José Richa construiu no Paraná seus vínculos pessoais e sua trajetória política. Formado em Odontologia pela Universidade Federal do Paraná, casou com Arlete Vilela Richa, com quem teve três filhos: José Richa Filho, Carlos Alberto Richa, conhecido como Beto Richa, e Adriano Richa.

Arlete faz parte dessa caminhada. Em entrevista à Folha de Londrina, ao recordar os anos da vida pública do marido, relatou sua participação como esposa do prefeito e o apoio recebido dos londrinenses. Sua lembrança acrescenta uma dimensão humana à biografia política: ao lado das eleições, dos discursos e das responsabilidades de governo, existia uma família vivendo cada mudança de cidade, de rotina e de missão.

Entre os filhos, Beto Richa levou adiante a atuação eleitoral do pai. Foi deputado estadual, vice-prefeito e prefeito de Curitiba, Governador do Paraná e chegou à Câmara dos Deputados. O sobrenome voltou, assim, a ocupar espaços percorridos por José Richa, embora cada trajetória tenha suas próprias escolhas e deva ser compreendida em seu tempo.

A formação política de José Richa começou no movimento estudantil e na democracia cristã. Presidiu a União Paranaense dos Estudantes, foi eleito deputado federal em 1962 e reeleito em 1966. Participou da formação do MDB, partido que reuniu diferentes correntes de oposição à ditadura militar. Sua história se vinculou à defesa da abertura política e à construção de alternativas democráticas.

Como prefeito de Londrina, senador e governador do Paraná, ampliou sua presença na vida pública. Eleito governador em 1982, na retomada das eleições diretas estaduais durante o regime militar, governou de março de 1983 a maio de 1986. Era um período em que administrar também significava responder ao desejo de participação de uma sociedade que voltava a ocupar as ruas.

Esse encontro entre política e esperança ganhou expressão no histórico comício das Diretas Já, realizado em 12 de janeiro de 1984, na Boca Maldita, em Curitiba. Como governador, Richa assegurou condições para a realização da manifestação. O Paraná participou de um momento decisivo da mobilização nacional pelo direito de escolher o presidente da República. A praça se transformava em voz, e a reivindicação pelo voto aproximava brasileiros de diferentes posições políticas.

De volta ao Senado, participou da Assembleia Nacional Constituinte e da Comissão de Sistematização, responsável por organizar parte do texto que resultaria na Constituição de 1988. Também esteve entre os fundadores do PSDB. Sua trajetória atravessou, portanto, a oposição ao regime militar, a mobilização popular e a construção institucional da democracia.

José Richa morreu em 17 de dezembro de 2003, aos 69 anos. A homenagem aprovada agora, quase 23 anos depois, devolve seu nome ao centro da vida parlamentar. Para a história pública, permanece o registro do governante e constituinte. Para a memória familiar, existe também o José que compartilhou a vida com Arlete e a paternidade de três filhos.

Dar seu nome a uma passagem permite uma leitura simbólica de sua caminhada. Em um país que precisou superar barreiras para recuperar a liberdade política, lembrar quem participou desse processo é também reconhecer que a democracia depende de caminhos permanentemente abertos.

José Richa ajudou o Brasil a abrir caminhos para a democracia. Agora, seu nome permanece onde o Parlamento segue em passagem.

Com informações da Agência Câmara, Agência Senado, AEN Pr, Folha de Londrina e ALEP.


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