Política

A banalização das pesquisas e o desespero para fazê-las valer

Afinal quem está realmente interessado em conhecer o resultado?

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A banalização das pesquisas eleitorais chegou a um ponto em que algumas delas levantam mais perguntas do que respostas. Que interesse teria o eleitor de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, em saber como os paranaenses pretendem votar para governador e senador? Uma pesquisa telefônica, contratada por um jornal catarinense para medir a intenção de voto no Paraná, pode até ser formalmente registrada, mas não está imune ao questionamento público. Quando a origem da contratação, a metodologia e a finalidade da pesquisa despertam estranheza, é natural que surja a dúvida, pois estamos diante de uma fotografia legítima do eleitorado ou de mais um capítulo na fabricação de narrativas eleitorais?

O problema não está na pesquisa em si. Está na banalização de um instrumento que deveria ser tratado com seriedade e responsabilidade. Pesquisa eleitoral não é oráculo, muito menos salvo-conduto para fabricar realidade. Não pode ser utilizada como peça de propaganda disfarçada de ciência, nem como mecanismo para criar uma percepção artificial de força, vantagem ou tendência. Quando os números começam a ser usados para convencer antes mesmo de informar, a credibilidade deixa de ser um detalhe técnico e passa a ser o centro da discussão.

O TRE/PR recebeu uma impugnação que questiona aspectos do registro da pesquisa, e agora cabe à Justiça Eleitoral examinar os argumentos e decidir. Independentemente do resultado, o episódio serve de alerta para algo maior: a democracia não pode ser refém de números cuja credibilidade precisa ser defendida a cada nova divulgação. O eleitor paranaense merece saber quem pesquisa, quem contrata, quem é ouvido e, principalmente, por que determinados números precisam ser colocados na praça com tanta pressa.

No fim, a verdadeira pesquisa talvez seja outra que é descobrir até onde vai a informação e onde começa o desespero para fazer uma narrativa parecer realidade.


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