Há erros que passam despercebidos. Outros revelam distanciamento. Em Paranaguá, cidade-mãe do Paraná, berço da história paranaense e orgulho de seus 378 anos, chamar os parnanguaras de indígenas confundindo identidade cultural com a presença dos povos originários foi mais do que um simples deslize. Para quem pretende governar o Estado, conhecer seu povo não é um detalhe; é obrigação.
Na política, símbolos importam. E um candidato ao Governo do Paraná precisa demonstrar intimidade com a realidade de cada região, especialmente de uma cidade que representa o nascimento histórico do Estado. Paranaguá possui comunidades indígenas, que merecem respeito e reconhecimento, mas sua população é formada pelos parnanguaras, identidade construída ao longo de quase quatro séculos de história.
O episódio soma-se a uma trajetória política marcada por mudanças e contradições amplamente conhecidas pelo eleitor. Moro rompeu com o governo de Jair Bolsonaro acusando interferência na Polícia Federal e deixou o Ministério da Justiça em meio a uma crise institucional. Hoje, caminha politicamente ao lado do mesmo grupo político que antes criticava. Também passou por divergências públicas envolvendo a direção nacional de seu partido e, agora, integra alianças que antes pareciam improváveis.
Tudo isso faz surgir uma pergunta legítima!
- Será que este é o momento de buscar o Palácio Iguaçu?
Talvez o gesto mais coerente seja outro. Sergio Moro foi eleito senador da República para um mandato de oito anos. Foi para representar o Paraná em Brasília que recebeu os votos da população. Concluir esse compromisso seria uma demonstração de respeito ao eleitor e de coerência com o mandato que lhe foi confiado.
Brasília é a capital do Brasil. Paranaguá é a cidade-mãe do Paraná. E quem nasce em Paranaguá é parnanguara.
Na política, conhecer o território é importante. Conhecer sua gente é indispensável.





