Opinião

Política ou Politicagem? A sociedade começa a refletir

Após o calor das eleições de 2024, a população começa a questionar o papel das redes sociais, o uso distorcido da política e o futuro de Paranaguá

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A efervescência eleitoral passou, mas os ecos do pleito municipal de 2024 ainda reverberam com força em Paranaguá. Se, de um lado, temos uma nova gestão que tenta se consolidar, de outro, observamos um fenômeno crescente e preocupante, a politização tóxica do debate público. Grupos de WhatsApp e perfis em redes sociais têm sido usados como trincheiras de ressentimento, ataques e desinformação. Inclusive como palco de teatro tentando manipular a população com textões. Mas ao contrário de anos anteriores, há um movimento silencioso, porém importante, a sociedade começa a questionar. Afinal, onde termina a crítica legítima e começa a politicagem?

Para muitos parnanguaras, o que deveria ser uma transição democrática de projetos virou um campo de batalha onde a política, aquela que busca o bem comum, o desenvolvimento social e o respeito às diferenças foi substituída pela politicagem de interesses feridos. É como se a disputa não tivesse terminado com o resultado das urnas. E a pergunta que começa a surgir é inevitável, estamos construindo pontes para o futuro ou alimentando muros de ódio e frustração?

Essa reflexão é urgente. A sociedade começa a perceber que o verdadeiro papel da política não está na defesa de cargos comissionados ou no favorecimento de grupos específicos, mas sim na construção de políticas públicas sólidas, transparentes e inclusivas. E que o papel do cidadão vai muito além de votar. É necessário participar, fiscalizar, propor, e acima de tudo, compreender.

A crítica é saudável e essencial, mas ela precisa ser fundamentada, honesta e voltada ao interesse público. Quando o debate público é sequestrado por pessoas que perderam espaço político ou benefícios e passam a usar as redes para difamar, manipular e distorcer fatos, Paranaguá adoece. A verdade vira moeda de troca, e a esperança, mais uma vez, é rifada.

Por outro lado, cresce a percepção de que é preciso reagir. Entidades de classe, lideranças comunitárias e cidadãos comuns começam a se manifestar contra esse uso abusivo das redes sociais como ferramentas de vingança. Há uma compreensão de que é necessário resgatar o verdadeiro valor da política como instrumento de transformação. E isso exige vigilância, sim, mas também ética, coragem e compromisso.

A ideia de que “vale tudo para derrotar o adversário” está sendo colocada em xeque. Afinal, o preço dessa lógica é alto demais como a desinformação, polarização, descrença nas instituições e paralisia nos projetos para a cidade. Paranaguá não pode ser refém de uma política de revanchismo, onde o que está em jogo não é o interesse coletivo, mas a manutenção de velhos privilégios através do ataques tóxicos.

Esse despertar social é um sinal positivo. Mostra que há, sim, um movimento em direção à maturidade. Um entendimento de que política não é guerra, é diálogo. Não é palco de vaidades, é construção coletiva. E que aqueles que usam a mentira como estratégia não estão apenas prejudicando seus adversários, mas sabotando o futuro de toda uma cidade.

A sociedade parnanguara está, aos poucos, se levantando contra a prática da politicagem. Está exigindo que quem se dispõe a fazer política seja como gestor, parlamentar, militante ou cidadão tenha compromisso com a verdade, com a ética e com o bem comum.

As pessoas não querem o retrocesso de feudos políticos, de perpetuação do poder. Isso ficou claro nas eleições de 2024.

Paranaguá precisa de líderes que olhem para fora de si, que enxerguem o coletivo, e não de figuras que vivem eternamente apaixonadas por seus próprios reflexos e fantasmas do passado.

A figura de Narciso, aquele que se apaixonou pela própria imagem refletida na água, serve como metáfora perfeita para alguns personagens da política local que, após perderem espaço ou poder, recusam-se a encarar a realidade.


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