Vivemos tempos em que o jornalismo sério, aquele que exige apuração, responsabilidade e compromisso com a verdade, vem sendo corroído por um pseudo jornalismo de lacração, ávido por curtidas e manchetes fáceis. O problema é que, quando essa prática ultrapassa o limite da ética, o prejuízo não atinge apenas a credibilidade de quem escreve; ele atinge pessoas, empresas e marcas que levaram décadas para construir sua reputação.
É de uma irresponsabilidade inaceitável sugerir, sem provas ou com base em suposições frágeis, que empresas idôneas estejam envolvidas em ilícitos. Isso não é jornalismo, é sensacionalismo barato travestido de notícia. Uma linha mal colocada, uma insinuação sem fundamento, uma manchete manipulada é suficiente para manchar a imagem de centenas de trabalhadores, gerar insegurança em investidores e comprometer operações de vulto internacional que envolvem múltiplos órgãos intervenientes.
Quando há uma investigação oficial em andamento, cabe aos órgãos competentes esclarecer e às empresas, se necessário, responder. O que não pode é uma publicação midiática, no afã do “ineditismo” e da lacração, se colocar como tribunal, condenando previamente e jogando a reputação de uma instituição na lama sem responsabilidade alguma pelos efeitos que causa.
A sociedade precisa refletir. Não se constrói desenvolvimento atacando levianamente quem produz, gera empregos e cumpre sua função de maneira regular. A liberdade de imprensa é um pilar da democracia, mas não pode ser confundida com o direito de difamar, de manipular ou de usar a comunicação como arma para destruir. O jornalismo que vale a pena é aquele que informa com clareza e responsabilidade, não o que brinca de espalhar boatos para alimentar cliques.
No fim das contas, o que resta dessas pessoas falsas, arautos da moral, é o espetáculo da hipocrisia. Fazem-se de guardiãs da verdade, mas não passam de oportunistas travestidas de críticas, negociando reputações alheias em troca de audiência ou de um contrato novo. São as verdadeiras “corruptas da virtude”, e o preço da irresponsabilidade midiática que praticam é alto demais para ser pago por toda a sociedade.
Em tempo, a expressão “corruptas da virtude” denuncia pessoas ou grupos que se apresentam como moralmente superiores, defensoras da ética, da verdade e da justiça, mas que, na prática, usam essa “virtude” como máscara para manipular, ganhar poder ou vantagem pessoal.





