Opinião

A política real entrou em campo e os filósofos das redes sociais não esperavam

Ratinho Junior fecha o time, Ricardo Barros amplia a aliança e Sandro Alex ganha musculatura política em um movimento que mexe no tabuleiro da sucessão paranaense

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A política paranaense acaba de dar uma resposta àqueles que insistem em enxergar uma eleição apenas pela tela do celular. Ratinho Junior entrou em campo, alinhou seu grupo e, ao lado de Ricardo Barros e da Federação União Progressista, ampliou significativamente o arco de forças em torno de Sandro Alex. União Brasil e Progressistas agora se somam ao projeto governista, levando para a disputa uma estrutura que reúne prefeitos, deputados, vereadores e lideranças espalhadas pelo Paraná. E a pergunta que fica para os “filósofos de Facebook e Instagram” é inevitável, isto é, será que curtidas, comentários e narrativas virtuais são suficientes para vencer uma eleição estadual? Ou será que, quando chega a hora de contar votos, a política tradicional aquela que constrói alianças, percorre municípios e conversa com lideranças ainda tem algum peso?

Para Sérgio Moro, o movimento não pode ser ignorado. A questão não é afirmar que a eleição está decidida longe disso. É reconhecer que a candidatura de Sandro Alex passa a contar com uma musculatura política que pode alterar a dinâmica da disputa. O eleitor pode até acompanhar a política pelas redes sociais, mas a eleição acontece nas ruas, nos municípios e na capacidade de transformar apoio político em votos. Moro terá de responder a uma pergunta incômoda: qual é a sua estratégia para enfrentar uma aliança que agora reúne o governador, grandes partidos e uma extensa rede de lideranças municipais e parlamentares? E mais: será que sua eventual força eleitoral está suficientemente organizada para atravessar uma campanha estadual tão ampla?

O episódio também deixa uma lição para quem gosta de decretar vencedores antes da hora. A política é feita de movimento, não de fotografia. O que parecia definido ontem pode mudar amanhã. Ratinho Junior mostrou que não pretende assistir à sucessão de camarote; Ricardo Barros mostrou que ainda tem peso no tabuleiro; e Sandro Alex recebeu um reforço que aumenta a responsabilidade sobre sua candidatura. Agora, a disputa começa a ganhar contornos mais claros. Aos analistas de plantão, fica a provocação: será que estavam lendo o Paraná ou apenas interpretando o algoritmo? Porque, enquanto alguns discutiam política nas redes sociais, a política real estava sentada à mesa, negociando, alinhando e montando o time. E, no Paraná, o jogo de 2026 acaba de ficar muito mais sério.

A pergunta que fica para o MDB é: será que ainda não percebeu a força de quem está construindo uma candidatura para governar o Paraná e não apenas uma candidatura para conquistar o poder? Porque, enquanto alguns discutem espaços e cargos, outros estão construindo alianças, reunindo lideranças e apresentando um projeto de Estado. Afinal, o eleitor quer saber quem está pensando no dia seguinte à eleição ou quem está apenas pensando no dia da eleição?


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