Na manhã da quarta-feira, 25, a Portos do Paraná anunciou a ampliação do projeto “Comunidades Sustentáveis”, iniciativa criada pela empresa pública em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) no litoral do Estado, com implementação de sistemas de saneamento na Ilha de Eufrasina, em Paranaguá. A iniciativa atualmente atende 66 famílias e beneficia mais de 200 moradores, algo que será ampliado para mais ilhas do litoral do Paraná em 2026.
“Em fevereiro, representantes das instituições responsáveis visitaram a ilha para acompanhar os resultados da implantação. A Ilha de Eufrasina, com acesso exclusivamente por embarcação, abriga uma comunidade tradicional de pescadores artesanais. Antes do projeto, as residências não contavam com sistema de coleta e tratamento de esgoto. O solo rochoso inviabiliza a implantação de redes convencionais, como as existentes em centros urbanos, ou ainda a instalação de fossas sépticas, comuns em áreas rurais”, afirma a Portos do Paraná.
O coordenador do projeto, Fernando Augusto Silveira Armani, professor da UFPR, salienta que no início do projeto na Ilha da Eufrasina a situação encontrada era de direcionamento ao mar dos dejetos por tubulações expostas. Com a iniciativa, os tubos foram reorganizados. “Agora o esgoto passa por tratamento adequado. Em alguns casos, os sistemas foram integrados a jardins com flores, que além de funcionais, embelezam a comunidade”, frisa.

Sustentabilidade e tecnologia
Segundo a empresa pública, o projeto utiliza jardins filtrantes — técnica conhecida como wetlands ou zonas úmidas construídas — que promovem o tratamento natural do esgoto na Eufrasina. “Também foram instalados biodigestores artesanais, nos quais microrganismos realizam a decomposição da matéria orgânica, além de biodigestores comerciais e vermifiltros, produzidos com bombonas plásticas e minhocas”, completa. “Os vermifiltros são geralmente utilizados nas casas localizadas à beira da água”, explicou a bióloga e analista portuária Jaqueline Dittrich.
“Além das residências, o projeto implantou sistemas de tratamento de esgoto em duas escolas, na associação de moradores e na igreja da comunidade”, completa a assessoria.
Água passou de condição “ruim” para “boa” após o projeto
Segundo a empresa pública, antes do início do projeto, em 2023, a qualidade da água era classificada na Ilha de Eufrasina era “ruim”. Após medições realizadas em novembro de 2025 a condição foi para “boa”, algo que indica adequada balneabilidade, redução do risco de doenças como diarreia, hepatite A e verminoses, além de melhores condições para a pesca. “Os dados são obtidos por meio do Índice de Qualidade de Água Costeira (IQAC)”, explica.

“É muito gratificante saber que as crianças podem usufruir da água sem problemas dermatológicos ou de saúde. Contribuir com o meio onde vivemos é essencial”, ressalta a representante da Associação de Moradores da Ilha de Eufrasina, Rosene Aparecida Passos.
“Para garantir o funcionamento adequado dos sistemas, os moradores participaram de 12 oficinas voltadas à manutenção das estruturas e ao uso consciente de produtos de limpeza. Substâncias como água sanitária podem comprometer a ação dos microrganismos responsáveis pelo tratamento do esgoto. Durante os encontros, também foram ensinadas técnicas para produção de materiais de limpeza biodegradáveis”, explica a Portos do Paraná
Projeto irá para ilhas de Piaçaguera, Europinha e Ponta de Ubá
Após os resultados positivos e indicativos melhores na Eufrasina, a Portos do Paraná e a UFPR irão ampliar o projeto para mais comunidades do litoral do Paraná. “Mantemos o convênio com a Universidade justamente para expandir a iniciativa. Já iniciamos a implantação na Ponta Oeste, na Ilha do Mel, onde há cultivo de ostras”, explica a analista portuária Jaqueline Dittrich. “Serão contempladas as ilhas de Piaçaguera, Ponta de Ubá e Europinha”, completa.
Moradores aprovaram a iniciativa
Segundo a Portos do Paraná, o impacto do projeto foi extremamente positivo na Ilha de Eufrasina. “Com o sistema rudimentar que tínhamos antes, enfrentávamos constrangimentos, principalmente por causa do mau cheiro. Hoje ficamos muito felizes e orgulhosos de contar com essa estrutura”, explica a turismóloga Francislaine Viana, que possui casa construída à beira-mar, uma das residências participantes da iniciativa.

“O benefício é a água mais limpa, que favorece a pesca e aumenta a presença de peixes na baía”, ressalta o morador Marcos Roberto Cassiano. Por fim, para o artesão e pescador Paulo Soares de Lara, a mudança é perceptível na questão ambiental. “Antes, a água saía suja direto para o mar, e o cheiro era insuportável. Agora, sai limpa”, finaliza.
Com informações da Portos do Paraná





