Meio Ambiente

Projeto de saneamento ecológico é ampliado para mais ilhas pela Portos do Paraná

Iniciativa pioneira foi desenvolvida na Ilha de Eufrasina em parceria com a UFPR e agora avança para mais comunidades insulanas

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Projeto "Comunidades Sustentáveis" já atende 66 famílias e beneficia 200 moradores no litoral do Paraná, algo que será ampliado (Fotos: Claudio Neves/Portos do Paraná)

Na manhã da quarta-feira, 25, a Portos do Paraná anunciou a ampliação do projeto “Comunidades Sustentáveis”, iniciativa criada pela empresa pública em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) no litoral do Estado, com implementação de sistemas de saneamento na Ilha de Eufrasina, em Paranaguá. A iniciativa atualmente atende 66 famílias e beneficia mais de 200 moradores, algo que será ampliado para mais ilhas do litoral do Paraná em 2026.

“Em fevereiro, representantes das instituições responsáveis visitaram a ilha para acompanhar os resultados da implantação. A Ilha de Eufrasina, com acesso exclusivamente por embarcação, abriga uma comunidade tradicional de pescadores artesanais. Antes do projeto, as residências não contavam com sistema de coleta e tratamento de esgoto. O solo rochoso inviabiliza a implantação de redes convencionais, como as existentes em centros urbanos, ou ainda a instalação de fossas sépticas, comuns em áreas rurais”, afirma a Portos do Paraná. 

O coordenador do projeto, Fernando Augusto Silveira Armani, professor da UFPR, salienta que no início do projeto na Ilha da Eufrasina a situação encontrada era de direcionamento ao mar dos dejetos por tubulações expostas. Com a iniciativa, os tubos foram reorganizados. “Agora o esgoto passa por tratamento adequado. Em alguns casos, os sistemas foram integrados a jardins com flores, que além de funcionais, embelezam a comunidade”, frisa. 

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Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Sustentabilidade e tecnologia

Segundo a empresa pública, o projeto utiliza jardins filtrantes — técnica conhecida como wetlands ou zonas úmidas construídas — que promovem o tratamento natural do esgoto na Eufrasina. “Também foram instalados biodigestores artesanais, nos quais microrganismos realizam a decomposição da matéria orgânica, além de biodigestores comerciais e vermifiltros, produzidos com bombonas plásticas e minhocas”, completa. “Os vermifiltros são geralmente utilizados nas casas localizadas à beira da água”, explicou a bióloga e analista portuária Jaqueline Dittrich.

“Além das residências, o projeto implantou sistemas de tratamento de esgoto em duas escolas, na associação de moradores e na igreja da comunidade”, completa a assessoria.

Água passou de condição “ruim” para “boa” após o projeto

Segundo a empresa pública, antes do início do projeto, em 2023, a qualidade da água era classificada na Ilha de Eufrasina era “ruim”. Após medições realizadas em novembro de 2025 a condição foi para “boa”, algo que indica adequada balneabilidade, redução do risco de doenças como diarreia, hepatite A e verminoses, além de melhores condições para a pesca. “Os dados são obtidos por meio do Índice de Qualidade de Água Costeira (IQAC)”, explica.

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Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

“É muito gratificante saber que as crianças podem usufruir da água sem problemas dermatológicos ou de saúde. Contribuir com o meio onde vivemos é essencial”, ressalta a representante da Associação de Moradores da Ilha de Eufrasina, Rosene Aparecida Passos.

“Para garantir o funcionamento adequado dos sistemas, os moradores participaram de 12 oficinas voltadas à manutenção das estruturas e ao uso consciente de produtos de limpeza. Substâncias como água sanitária podem comprometer a ação dos microrganismos responsáveis pelo tratamento do esgoto. Durante os encontros, também foram ensinadas técnicas para produção de materiais de limpeza biodegradáveis”, explica a Portos do Paraná

Projeto irá para ilhas de Piaçaguera, Europinha e Ponta de Ubá

Após os resultados positivos e indicativos melhores na Eufrasina, a Portos do Paraná e a UFPR irão ampliar o projeto para mais comunidades do litoral do Paraná. “Mantemos o convênio com a Universidade justamente para expandir a iniciativa. Já iniciamos a implantação na Ponta Oeste, na Ilha do Mel, onde há cultivo de ostras”, explica a analista portuária Jaqueline Dittrich. “Serão contempladas as ilhas de Piaçaguera, Ponta de Ubá e Europinha”, completa. 

Moradores aprovaram a iniciativa

Segundo a Portos do Paraná, o impacto do projeto foi extremamente positivo na Ilha de Eufrasina. “Com o sistema rudimentar que tínhamos antes, enfrentávamos constrangimentos, principalmente por causa do mau cheiro. Hoje ficamos muito felizes e orgulhosos de contar com essa estrutura”, explica a turismóloga Francislaine Viana, que possui casa construída à beira-mar, uma das residências participantes da iniciativa. 

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Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

“O benefício é a água mais limpa, que favorece a pesca e aumenta a presença de peixes na baía”, ressalta o morador Marcos Roberto Cassiano. Por fim, para o artesão e pescador Paulo Soares de Lara, a mudança é perceptível na questão ambiental. “Antes, a água saía suja direto para o mar, e o cheiro era insuportável. Agora, sai limpa”, finaliza.

Com informações da Portos do Paraná


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Leonardo Quintana Bernardi

Editor-chefe da Folha do Litoral News. Jornalista graduado pela PUC-PR com atuação desde 2012 no jornalismo impresso, online e em audiovisual, bem como em assessoria de comunicação. Já trabalhou em órgãos públicos, jornais locais, freelances em veículos de alcance nacional e desempenha suas funções na Folha do Litoral News desde 2017. Defensor do jornalismo como meio de transformação social.

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