Antes restrita à especialistas e pesquisadores, a observação de aves vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil e se consolidando como uma atividade que une lazer, ciência e preservação ambiental. Em Paranaguá, não é diferente, munidos de câmeras fotográficas, os observadores percorrem áreas urbanas e naturais em busca de espécies que revelam a riqueza e a beleza da fauna, transformando o simples ato de olhar para o céu ou para as árvores em uma experiência de conexão com a natureza e de valorização da biodiversidade.
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Ednilson Modesto Pereira, colaborador da ciência cidadã, faz parte do Grupo de Observadores de Aves em Paranaguá e conta que a ideia começou há aproximadamente 15 anos, quando procurava um hobby para sair da rotina. “A paixão pelas aves já existia desde a infância, período em que sempre me encantava ao vê-las de perto e, ao mesmo tempo, ficava triste por estarem aprisionadas. A observação de aves (birdwatching) proporciona justamente isso, a possibilidade de contemplar as espécies por meio do zoom da câmera, sem a necessidade de aprisionar a ave”, conta.

Para quem deseja ser um observador, Modesto explica que para ele, o primeiro passo para ir a campo foi estudar um pouco sobre o comportamento das aves, já que ele não é ornitólogo. “Nesse processo, conheci o site WikiAves.com.br, onde pude compreender melhor o universo da observação de aves. Essa atividade, além de proporcionar conhecimentos importantes sobre a fauna, transforma o observador em um colaborador da ciência cidadã, uma prática acessível a todos”, salienta.

Modesto conta que Paranaguá possui um forte potencial para a observação de aves, por contar com um bom remanescente de Mata Atlântica e uma belíssima baía, o que a torna destino de algumas espécies durante a rota migratória. “Entre as espécies que considero de difícil registro estão a Coruja-preta (Strix huhula), o Peixe-frito-pavonino (Dromococcyx pavoninus), o João-corta-pau (Antrostomus rufus), o Gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus), o Gavião-caranguejeiro (Buteogallus aequinoctialis), entre outros”, cita.

Um dos registros mais curiosos que o observador obteve foi de uma ave não tão rara, porém muito discreta que, segundo ele, é mais ouvida do que vista. “Seu nome popular é Saci (Tapera naevia), da mesma família dos cucos. Consegui registrar em vídeo um comportamento pouco conhecido, no qual a ave aparenta estar dançando ou até mesmo dando a impressão de possuir quatro asas. Esse registro foi divulgado no site do programa Terra da Gente, de São Paulo, afiliado da Globo, e chamou a atenção do público. Algumas semanas depois, uma emissora de televisão japonesa também solicitou autorização para exibir o vídeo em um programa de natureza”, ressalta.

Outra possibilidade que a observação de aves oferece é a oportunidade de conhecer pessoas de todo o Brasil que compartilham o mesmo objetivo. “Em Paranaguá, temos um grupo que realiza passarinhadas pela cidade e também acolhe observadores de outras regiões que vêm em busca de espécies específicas. Além disso, durante as atividades de observação de aves, eventualmente nos deparamos com outros animais, como mamíferos — cachorro-do-mato, gato-do-mato, quati, porco-do-mato, entre outros”, observa. Modesto explica que esses registros também são realizados e servem como base para estudos de biólogos, além de contribuírem para a conscientização da população sobre a importância de preservar as matas, garantindo que esses animais possam viver em paz em seu habitat natural.


Fotos: Ednilson Modesto Pereira





