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Meio Ambiente

Em seis anos, projeto registrou mais de 14 mil animais marinhos no litoral do Paraná

Maioria é composta por tartarugas-verde e pinguins-de-Magalhães

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Na quinta-feira, 26, o Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC/UFPR), divulgou que, em seis anos, foram registrados pouco mais de 14 mil animais marinhos, entre golfinhos, baleias, lobos e leões marinhos, focas, tartarugas marinhas e diversas espécies de aves marinhas, incluindo os pinguins, no litoral do Paraná.

Este é um balanço do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), que revelou os animais que mais representaram os encalhes nos últimos seis anos. A tartaruga-verde e o pinguim-de-Magalhães somam, aproximadamente, 60% dos registros em todo o litoral paranaense.

De maneira geral, entre os animais registrados encalhados, 57% eram aves marinhas, em sua maioria representados pelas espécies pinguim-de-magalhães e bobo-pequeno. As tartarugas marinhas representam 37% dos registros, com destaque para as tartarugas-verde. Entre os mamíferos marinhos (6% da amostra total), a maioria eram das espécies boto-cinza  e toninha.

“Infelizmente, a maioria dos animais que encalham nas praias estão mortos (93%) e chegam em diferentes estágios de decomposição (desde frescos até apenas esqueletos). Apenas 7% encalham em nossas praias com vida, mas entre estes a maioria dos animais está debilitado e precisa de atendimento intensivo”, divulgou o LEC.

A saúde da fauna marinha e as interações com as atividades humanas são grandes preocupações da equipe de pesquisa. Devido ao grande número de encalhe de animais mortos, foram realizadas 4,5 mil necropsias. Esta avaliação permite identificar a qualidade de saúde dos animais e, por serem estas sentinelas ambientais, também trazem a oportunidade de avaliar a qualidade do ecossistema costeiro e oceânico. 

“Os dados evidenciam a redução da qualidade ambiental de forma sistêmica. Diversas espécies encalham com quadro de imunossupressão, ou seja, com alterações na capacidade de defesa contra doenças em geral, possivelmente causadas por estresse crônico”, afirmou a coordenadora do LEC/UFPR e do PMP-BS no Paraná, Camila Domit.

Impactos 

Ainda, segundo a coordenadora, a fauna marinha é intensamente afetada por impactos relacionados às atividades humanas, tanto de forma direta (capturas acidentais, colisão com embarcações, agressões e traumas), como por impactos indiretos (contaminação por esgoto, químicos e ruídos, assim como pela perda de habitat e redução e recursos alimentares). 

As espécies costeiras têm apresentado quadros de interação direta com ações humanas como capturas acidentais pelos petrechos de pesca, ingestão e interação com lixo, contaminação por patógenos fúngicos, virais e bacterianos, e mesmo intoxicação. 

“Sabemos, neste momento, muito mais sobre os impactos que afetam os animais costeiros do que de hábito oceânico, mas este cenário pode ser apenas reflexo de serem estes os animais que registramos vivos e recém mortos e nos dão condições de necropsias mais detalhadas. No entanto, é importante destacar que os animais oceânicos também apresentam doenças, marcas de interação com pesca e níveis significativos de contaminação química nos tecidos, assim como alterações em órgãos e células que sugerem alterações no sistema imunológico por estresse”, ressaltou o LEC.

Fonte: LEC/UFPR