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Coronavírus

Teste rápido, autoteste e PCR: qual a diferença na detecção de Covid-19?

Bioquímica explica qual exame é mais seguro e recomendado a cada caso

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O Ministério da Saúde enviou um pedido para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para autorizar o uso de autoteste para Covid-19 no Brasil, nesta semana. Frente a isso, a bioquímica Jéssica Driélli Torquetti Tavares, explicou a diferença entre os exames disponíveis nos laboratórios e como o autoteste funciona na detecção da doença.

Segundo a profissional, não existe muita diferença entre a metodologia do autoteste e do teste rápido aplicado nos laboratórios. “Entre os autotestes e o teste rápido, este que conseguimos liberar o resultado no mesmo dia, não existe muita diferença em relação a metodologia utilizada para detectar a presença do vírus”, disse Jéssica.

No entanto, para um resultado mais assertivo, a recomendação é para que o teste rápido seja feito entre o terceiro e quarto dia dos sintomas. “No máximo até o 11.º dia, porque a partir disso a carga viral diminui bastante e o teste não terá mais a capacidade de detectar o vírus”, completou Jéssica.

A principal dificuldade, de acordo com ela, é com relação à orientação dada ao paciente e a coleta realizada. “No laboratório passamos uma orientação quanto ao teste rápido, quanto ao início e fim dos sintomas, se entrou em contato com alguém positivo, são informações que colhemos e fazemos o teste rápido com segurança”, esclareceu a bioquímica.

Com a possibilidade de fazer o autoteste em casa, que poderá ser vendido nas farmácias, os resultados positivos não entram nas estatísticas que mostram diariamente o cenário da doença nos municípios e Estados. 

“A não ser que quem venda o teste na farmácia faça essa orientação. O autoteste funcionaria como um rastreamento dentro das casas. Pode gerar muitos casos de exame falso negativo, pelo tempo que foi realizado e pela forma de coleta. Quem fizer os testes em casa também vai subnotificar, no laboratório comunicamos cada caso positivo, o que é usado nas estatísticas e campanhas de conscientizações”, afirmou Jéssica.

PT-PCR

Já o exame PT-PCR pode ser realizado com segurança do primeiro até o 20.º dia de aparecimento dos sintomas. “O exame PCR é o padrão ouro para diagnóstico porque tem uma sensibilidade muito grande. Alguns pacientes com até 30 dias depois do início dos sintomas ainda testam positivo, mas depende da carga viral. A PCR detecta o material genético do vírus, ao contrário do teste rápido”, destacou Jéssica.

Podem faltar testes?

Com o crescimento na demanda de exames para o diagnóstico de Covid-19 nas últimas semanas, os laboratórios podem encontrar dificuldades para a compra dos testes. 

“Podemos encontrar uma escassez, já encontramos dificuldades para comprar testes rápidos. Ainda não precisamos bloquear coletas e deixar pacientes sem testes. Mas, se continuar essa frequência e contaminação e os funcionários dos laboratórios e das empresas que produzem esses insumos adoecerem, pode acontecer. No Pasteur ainda não precisamos limitar o número de testes, mas isso pode mudar a qualquer momento”, frisou a bioquímica.