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Coronavírus

Governador aplica quarentena regionalizada para conter a Covid-19 no Paraná

“Com a chegada do inverno e volume maior de pessoas nas ruas o vírus ganhou uma força maior no Sul do Brasil e o Paraná não está fora disso”, afirma o governador Ratinho Júnior (Foto: Rodrigo Felix Leal)

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Municípios do litoral não estão inclusos e seguirão respeitando os decretos municipais vigentes

Na tarde da terça-feira, 30, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, em coletiva on-line e pela TV Paraná Educativa no Palácio Iguaçu, divulgou a intensificação de medidas para conter a pandemia do novo Coronavírus em todo o Estado, incluindo os sete municípios do litoral. Após reuniões com autoridades judiciais, legislativas, prefeitos e entidades empresariais e dos setores produtivos, o governador, junto a sua equipe, decretou que a partir da quinta-feira, 1.º, as regionais de Saúde de Cornélio Procópio, Londrina, Cianorte, Toledo, Cascavel, Foz do Iguaçu, bem como Curitiba e Região Metropolitana de Curitiba (RMC), terão medidas regionalizadas de quarentena, algo que passa a valer durante 14 dias a partir da quarta-feira, 1.º, com suspensão de todos os serviços não essenciais.

A terça-feira, 30, foi um dia de recorde de casos e óbitos decorrentes da Covid-19, ao todo 36 mortes e 1.036 pessoas infectadas em 24 horas, o que demonstra o crescimento da pandemia no Paraná. A medida alcança os 134 municípios que concentram 75% dos casos da Covid-19 no Paraná. 

A suspensão de serviços não essenciais ocorrerá por 14 dias, abrangendo paralisação de shoppings, comércio de rua, academias, clubes, clínicas de estética, bares e restaurantes (a não ser por delivery), salões de beleza, barbearias, entre outros estabelecimentos. Além disso, o documento pede para que os municípios façam barreiras sanitárias de monitoramento de pessoas e da transmissão da Covid-19, entre outras ações administrativas, com fiscalização do Estado e municípios. Há a possibilidade de cassação de alvará e expedição de multa para quem desrespeitar a quarentena.

Uma das outras medidas aplicadas é o toque de recolher em Curitiba e nos outros 133 município entre 22h e 5h. O transporte público coletivo deverá ficar restrito a usuários que trabalham em serviços essenciais. Outro ponto é que reuniões de trabalho sejam feitos preferencialmente via virtual. 

“O decreto é uma determinação. O STF afirma que a decisão municipal tem o seu peso, mas pelo que estivemos conversando, onde dialogamos com os prefeitos de municípios maiores e associações de municípios, para que essas decisões regionais em decreto sejam acompanhadas pelos prefeitos”, afirma Ratinho Júnior.

O crescimento da pandemia no inverno estava previsto pelo governo. Entretanto, o Paraná ainda é o Estado com menor número de infectados a cada 100 mil habitantes no Brasil. “O que mostra que o esforço da população colaborou para que não chegássemos a um colapso na saúde junto ao planejamento do Governo do Estado”, salienta o governador.

Apoio da população

O governador pediu apoio da população para que a pandemia não fique descontrolada. “Não está sendo feito o ‘lockdown’, que é uma medida extrema quando se fecha absolutamente tudo, todo mundo vai para casa, são fechados comércio e indústrias. O que estamos aplicando é uma quarentena mais restritiva em algumas regiões do Estado onde a curva do crescimento está fora do controle normal”, ressalta.

Índice de isolamento social está entre 40 e 45% no litoral, informa o Estado (Foto: Rodrigo Felix Leal) 

Segundo o chefe do Executivo, 75% dos casos no Paraná estão vinculados às sete Regionais de Saúde inclusas no decreto. “O problema mais agudo está em sete regiões, em 134 municípios do Paraná. As nossas decisões a partir de hoje são pontuais e regionais”, diz.

Falta de insumos e intensivistas

Ratinho Júnior afirma que o Paraná está bem estruturado em número de respiradores e UTIs, no entanto há outras questões que devem ser observadas.  “Temos o problema dos insumos, que está acabando no mundo o medicamento para entubar o cidadão. Tivemos um caso de um hospital particular em Curitiba que no último sábado havia acabado esses insumos”, diz. “Além disso, o Brasil está com escassez de intensivistas, que são profissionais que sabem tratar nas UTIs”, ressalta. “Precisamos fazer com que a curva perca a velocidade para que a estrutura possa suportar”, afirma. 

Aumento de casos nos últimos 15 dias

O secretário de Saúde, Beto Preto, notou que nos últimos 15 dias houve aumento na velocidade de casos da Covid-19 no Paraná, com redução do índice de pessoas em isolamento social para 36% em média durante a semana. “É um número muito baixo. O plano de contingenciamento montado com o aval do governador no início do trabalho em março era manter o isolamento de 50 a 55%”, explica, ressaltando o aumento de transmissibilidade nos últimos dias, porém abaixo dos percentuais dos outros Estados do Sul. O índice de isolamento social está entre 40 e 45% no litoral. 

O gestor afirma que o Paraná segue sendo o Estado com menor coeficiente de incidência da Covid-19 e com o maior índice de testagem da doença. “Temos um ambiente controlado, equilibrado, mas longe de qualquer tipo de zona de conforto”, diz, ressaltando que a Sesa criou o chamado “Índice Paraná”, que analisa a estrutura de saúde, número de casos e óbitos, bem como transmissibilidade do vírus de acordo com cada região, algo que justifica ou não a quarentena regionalizada. 

O decreto completo pode ser acessado clicando aqui.