conecte-se conosco

Coronavírus

Fiocruz reforça que vacinação é prioridade para controle da pandemia

Redução da gravidade e letalidade da doença possui relação com taxa de imunização

Publicado

em

Foto: Erasmo Salomão/Ministério da Saúde

Na quarta-feira, 9, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) emitiu o Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz emitiu um balanço da pandemia e reforçou que a vacinação contra o Coronavírus sempre foi e continua sendo uma prioridade para o controle definitivo da pandemia. A doença já totalizou 388 milhões de casos no mundo e 26 milhões no Brasil (6,7% do total), com 5,71 milhões de mortes no planeta e mais de 630 mil no País (11% do total). Com a chegada da Ômicron e um cenário ainda preocupante, visto a rapidez da transmissão, os pesquisadores trouxeram informações sobre um possível fim do período pandêmico, pedindo diagnósticos e tratamento corretos da doença, imunização da população e prevenção. 

“Se o diagnóstico e tratamento correto, adequação dos hospitais e estabelecimentos de saúde foram cruciais para a redução do impacto da doença inicialmente, a vacinação hoje é considerada prioridade para o controle da pandemia”, informa a Fiocruz. 

A Ômicron, segundo o boletim e de acordo com estudos genéticos, possui propagação 70 vezes maior do que a Delta, entretanto, “alguns pesquisadores defendem que se trata de uma variante menos agressiva”, diz a assessoria. Este apontamento foi feito pelo fato de “que a ocorrência de hospitalizações e óbitos não acompanha a curva de crescimento dos casos”. “Porém, não há consenso sobre o assunto, observam os pesquisadores”, acrescenta.

Passagem de pandemia para endemia

“Alguns países e agências de saúde já discutem ou vêm adotando a transição de pandemia para endemia. Para os pesquisadores, a mudança não representa a eliminação do vírus e da doença, nem mesmo a desobrigação de medidas de proteção individuais e coletivas”, afirma a Fiocruz.

De acordo com o documento da fundação, definir a doença como endêmica “representaria a incorporação de práticas sociais e assistenciais na rotina do cidadão e dos serviços de saúde e só poderia ser pensada após drástica redução da transmissão pelas novas variantes e por meio de campanha mundial de vacinação”, detalha. 

Imunidade ao vírus e vacinação

Segundo a Fiocruz, apesar de incertezas e controvérsias da pandemia e da doença, que ainda é nova e apresenta mutações, os cientistas afirmam que a explosão de casos da Covid-19 cria imunidade ao vírus de forma temporária e curta, algo que pode ser encarado como “uma janela de oportunidades”, aponta. “Em um momento em que há muitas pessoas imunes à doença, se houver uma alta cobertura vacinal completa há a possibilidade de tanto reduzir o número de casos, internações e óbitos, como bloquear a circulação do vírus”, relata o estudo.

“É essencial colocar em prática quatro estratégias de saúde pública. Garantir oportunidade de aplicação de vacina, com a disponibilidade em unidades com horário de funcionamento expandido e em postos móveis, realizar busca ativa por pessoas que ainda não iniciaram seus esquemas vacinais, massificar a campanha de incentivo à vacinação de crianças e reforçar os benefícios gerados pela correta higienização, assim como o bom uso de máscaras”, ressalta a Fiocruz.

Vacina no Brasil

“Em um momento em que há muitas pessoas imunes à doença, se houver uma alta cobertura vacinal completa há a possibilidade de tanto reduzir o número de casos, internações e óbitos, como bloquear a circulação do vírus”, afirma boletim da Fiocruz (Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

O boletim da Fiocruz afirma que o avanço da vacinação contra o Coronavírus no Brasil após cerca de um ano do início está ocorrendo, entretanto não é algo homogêneo, visto as diversas realidades do País. “Enquanto as regiões Sul e Sudeste apresentam elevado percentual da população imunizada, áreas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste ainda têm bolsões com baixa imunização para Covid-19”, detalha. 

“Estes bolsões se constituem em locais de menor Índice de Desenvolvimento Humano, populações mais jovens, menos escolarizadas, baixa renda e residentes de cidades de pequeno porte. Para estes locais, o fim da pandemia parece mais distante que para grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo, que já apresentam elevada cobertura vacinal com duas doses”, informam os estudiosos da fundação.

Casos e mortes

O número de cerca de 630 mil óbitos por Covid-19 no Brasil impacta e impactou na saúde da população e nos sistemas de saúde. Segundo a Fiocruz, isso resultou “em uma combinação de efeitos sociais e econômicos que agravam as desigualdades estruturais da sociedade”, completa. “A pandemia não atingiu todos os grupos sociais e territórios uniformemente”, detalha. 

Com relação à vinda do Ômicron e nova onda de transmissão, houve um aumento de casos com uma rapidez maior do que nas ondas anteriores, com crescimento de mortes, mas em proporação menores a outros períodos de pico da pandemia. “A redução da gravidade da doença, da sua mortalidade e das demandas por internação são devidas à alta cobertura da vacinação alcançada para a população adulta e idosa, bem como uma menor virulência dessa variante em relação às cepas anteriores”, detalha a Fiocruz.

Leitos UTI

Embora preocupante, o quadro atual, segundo a entidade científica, trata-se de um cenário muito diferente do observado entre março e junho de 2021, que foi o momento mais crítico da pandemia no Brasil. “Os pesquisadores afirmam que as diferenças dizem respeito à parte da população brasileira estar vacinada contra a Covid-19, as características da doença produzida pela variante Ômicron e à disponibilidade de leitos de UTI, hoje significativamente menor. O documento evidencia a preocupação com o crescimento consistente das taxas de ocupação de leitos de UTI observado nas últimas semanas, bem como os indícios da interiorização dos casos frente à desigual cobertura vacinal no País”, complementa o estudo. 

Terceira onda é onde estamos

A terceira onda da pandemia, que chegou por meio da Ômicron, se trata de um período de transmissão iniciado em dezembro de 2021, em período que coincidiu no aumento da circulação de pessoas com as férias e festividades, bem como relaxamento das medidas de prevenção. “Essa fase também foi marcada por uma epidemia de vírus influenza A em vários municípios, o que levou ao aumento de casos de SRAG, assim como várias semanas de interrupção na recepção de dados da vigilância, comprometendo o monitoramento e análise da evolução da pandemia”, detalha.

O Brasil segue na terceira onda pandêmica, sendo que “há forte especulação sobre que momento da pandemia o País vive e se está caminhando para o fim”. “Em que pese o fato de a vacinação ter impedido que as internações e óbitos subam em igual velocidade aos casos, o aumento súbito de doentes faz crescer, inevitavelmente, a demanda por serviços de saúde, com impactos nas taxas de ocupação de leitos de UTI”, detalham os cientistas.

“O cenário indica ocorrência de internações maior entre idosos, quando comparadas aos adultos. No entanto, as internações entre crianças crescem em níveis preocupantes. Por se tratar do último grupo em que a vacinação foi iniciada, já em 2022, as crianças representam hoje o grupo com maior vulnerabilidade”, finaliza a Fiocruz.

Com informações da Fiocruz