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Coronavírus

Crianças não são imunes ao Coronavírus e devem ser vacinadas, aponta imunologista

Secovid do Ministério da Saúde e entidades médicas emitiram nota defendendo imunização infantil

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Foto: iStock

Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 com aplicação da primeira e segunda dose, bem como dose de reforço (DR), mais grupos vão sendo alcançados com a imunização e agora chegou a vez do grupo de crianças de 5 a 11 anos, algo que, segundo o Ministério da Saúde (MS), será iniciado em janeiro de 2022. O Instituto Butantan, a própria Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid (Secovid) do MS, entre outras diversas entidades médicas do Brasil, se posicionaram nas últimas semanas a favor da imunização infantil como forma de salvar vidas, evitar internamentos e para ampliar o controle da pandemia alcançando ainda mais pessoas imunizadas contra a doença no País, visto que as crianças não são imunes ao Coronavírus. 

Segundo a imunologista e professora titular na Pontifícia Universidade Católica do Chile, Susan Bueno, o pensamento de que com a maior parte de idosos e adultos vacinados contra a Covid-19 as crianças estão imunes à Covid-19 é errado. “Com a vacinação das demais populações, as crianças passam a ser mais suscetíveis à contaminação, como mostra o aumento do número de casos na população pediátrica do Chile, onde a imunização de crianças de três a seis anos começou em dezembro com a CoronaVac, vacina do Butantan e da Sinovac”, explica o Instituto Butantan.

Segundo a pesquisadora, com o avanço da vacinação de adultos, crianças acabam ficando mais vulneráveis, passando a serem vetores da doença. “Ainda não temos antecedentes suficientes para saber se as novas variantes como a ômicron podem causar enfermidades mais graves nas crianças, mas elas também se infectam, transmitem e podem desenvolver doenças muito severas, como a síndrome multissistêmica inflamatória”, afirma Bueno. “Com a vacinação de 12 a 17 anos houve uma diminuição importante tanto de casos assintomáticos quanto severos da doença e, agora que teve início desde os três anos, confiamos também na redução”, completa.

Ômicron

De acordo com a pesquisadora, a variante Ômicron já possui transmissão comunitária no Chile, sendo que a avaliação dos efeitos desta nova cepa está sendo realizada com análises genéticas da capital, Santiago, e outras regiões chilenas. Na universidade em que ela atua, estudos clínicos estão sendo realizados em crianças e  adultos com relação aos anticorpos, bem como células de memória contra as variantes Delta e Gama, com coleta de material para avaliação da Ômicron. 

“Ainda não é possível saber daqui a quanto tempo será necessário uma quarta dose ou uma nova dose de reforço e se realmente vai ser preciso. Esta resposta teremos depois dos resultados científicos clínicos”, explica Susan. A pesquisadora também não descartou uma possível necessidade de atualização dos imunizantes em uso atualmente contra a pandemia para combate às novas variantes.

Segundo informações do Butantan, “no Chile, idosos e adultos foram vacinados com duas doses de CoronaVac, sendo que parte deles também recebeu como reforço a vacina homóloga de vírus inativado”, sendo que “outra parte da população recebeu o esquema heterólogo (com vacina de RNA mensageiro ou vetor viral)”. “Todas as vacinas reforçaram a imunidade, com reativação da memória imunológica, nos estudos de efetividade de mundo real”, explica. A pesquisadora ressalta que a vacinação hoje é a melhor forma de proteção, “mas que mesmo imunizadas as pessoas não devem parar com as medidas de prevenção”, explica a imunologista.

Importância da vacinação de crianças no Brasil

“Desde o início da pandemia, ao menos 2.500 crianças de zero a 19 anos, 300 destas entre cinco e 11 anos, morreram em decorrência da Covid-19 no Brasil. Pelo menos 1.400 crianças foram diagnosticadas com a Síndrome Inflamatória Multissistêmica associada ao SARS-CoV-2, e atualmente, são elas que correm mais risco diante de novas variantes altamente transmissíveis, como a ômicron, por não estarem protegidas, segundo dados do Ministério da Saúde. Porém, tudo isso seria evitado se as crianças brasileiras tivessem sido vacinadas contra a Covid-19, como já acontece em diversos países do mundo”, alerta o Butantan.

Segundo a entidade, junto à Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid (Secovid), do Ministério da Saúde, e outras entidades médicas brasileiras, foram emitidas notas nas últimas semanas apontando os motivos da importância da imunização infantil contra o novo coronavírus no combate à pandemia no Brasil. Confira os principais motivos de defender a vacinação das crianças contra o Coronavírus:  

1) Porque reduz a transmissão da Covid-19

2) Porque previne casos graves e mortes

3) Porque segue os mesmos critérios da vacinação de adultos

4) Porque foi aprovada pelas principais agências reguladoras do mundo

5) Porque a introdução de uma vacina não depende do número de mortes 

6) Porque vacinar crianças ajuda na imunização indireta

Com informações do Instituto Butantan