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Ciência e Saúde

Vacina atual da gripe é capaz de gerar proteção cruzada contra a H3N2

Imunização cruzada ocorre devido à semelhança das cepas da H3N2 com a H1N1 e B

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Foto: AEN/Sesa

O Instituto Butantan divulgou uma informação científica importante para o controle do surto de Influenza no Brasil na quinta-feira, 6. A vacina atual contra a gripe, já em aplicação no Brasil na campanha de imunização de 2021, é capaz de conferir proteção ao vacinado contra a Influenza H3N2. A proteção ocorre mesmo sem ter a nova cepa em sua composição, visto que ocorre uma imunização cruzada, conforme o que dizem testes realizados pela entidade científica, que é produtora do imunizante contra a gripe que é distribuído pelo Ministério da Saúde (MS) a todo o País, incluindo o Paraná e o litoral.

De acordo com o diretor de produção do Instituto Butantan, Ricardo Oliveira, a vacina atual trivalente, que é composta pelo vírus da influenza H1N1, H3N2 e B, gerou o que é chamado de  proteção cruzada “quando o imunizante foca em neutralizar um vírus, mas consegue neutralizar outro”. A proteção ocorre com relação à “a cepa Darwin em testes de laboratório justamente por conter uma cepa H3N2, da mesma origem”, complementa.

“A vacina que temos hoje traz uma proteção cruzada contra a Darwin, menor do que a vacina específica, mas confere. Vimos isso nos reagentes que usamos no controle de qualidade, nas reações in vitro. O reagente da cepa anterior reage como uma cepa nova. Então existe essa possibilidade, esse nível de proteção”, detalha o diretor do Butantan.

Vírus semelhantes e parentes

Segundo Ricardo, a proteção cruzada ocorre principalmente quando uma vacina tem em sua composição uma cepa semelhante, a qual se quer proteger, algo que ocorre devido aos vírus evoluírem com o tempo, mas manterem estruturas semelhantes, algo que ocorreu justamente com relação ao H1N1 e H3N2. “Você tem um grau muito próximo de parentesco com a sua mãe, mas você é diferente dela. As cepas da influenza são parentes, têm mudanças na estrutura viral, nos aminoácidos, mas têm partes do vírus que são as mesmas e ela confere essa proteção mesmo com a atualização do vírus”, detalha o pesquisador.

Diante da descoberta, o imunizante se mostrou uma alternativa viável para proteção contra a cepa da influenza que vem causando surtos pelo país, segundo o diretor, até que a vacina atualizada esteja disponível. Recentemente, o Butantan doou 1,4 milhão de doses do imunizante da campanha de 2021 às cidades de São Paulo e Rio de Janeiro para aplicação de reforço.

“No meu ponto de vista, a atual vacina funciona e protege contra a Darwin. Mesmo que não seja a melhor resposta de proteção, vai trazer sim uma proteção para a população”, ressalta.

Nova vacina terá H3N2 na composição

“A nova versão da vacina da influenza, que será distribuída em 2022, é trivalente, composta pelos vírus H1N1, H3N2 (Darwin) e a cepa B, e já está sendo produzida pelo Butantan em suas fábricas”, afirma o Instituto Butantan. Ao todo, 100% do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) do H1N1 e da cepa B já foram produzidos pela entidade brasileira. “Em janeiro começamos a produzir o IFA do H3N2. Na primeira quinzena de fevereiro está previsto o início das formulações e do envase”, ressalta Ricardo.

Segundo o Butantan, o instituto é responsável pela produção de 80 milhões de doses da vacina contra a Influenza, que são anualmente oferecidas para imunização da população brasileira ao MS, fazendo parte da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. “Justamente por ser sazonal, o imunizante é modificado a cada ano, baseado nos três subtipos do vírus influenza que mais circularam no último ano no hemisfério Sul monitorados e indicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, esclarece a assessoria.

“Importamos essa cepa após a determinação da OMS e já estamos trabalhando nos bancos virais que produzirão os IFAs da Darwin, por isso a vacina que será distribuída em março já vai conter a cepa”, afirma o diretor do Butantan. 

De acordo com a assessoria, as doses são entregues ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, sendo posteriormente distribuídas em estados e municípios geralmente antes do inverno, quando aumentam as síndromes gripais e casos da Influenza. “Uma versão tetravalente da vacina da Influenza, com duas cepas de vírus A e duas cepas do vírus B, está sendo desenvolvida também no Butantan e deverá substituir a trivalente no futuro”, finaliza o Instituto Butantan.


Com informações do Instituto Butantan