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Ciência e Saúde

Um sim que salva vidas: mulher relata experiência com o transplante

Naila descobriu problema nos rins aos 6 anos e hoje faz campanha sobre o tema

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Nas últimas semanas, o tema transplantes ganhou mais espaço na mídia em função de o apresentador Faustão ter apresentado um caso grave de insuficiência cardíaca e, em menos de um mês, graças ao Sistema Único de Saúde (SUS) conseguiu o órgão compatível e foi transplantado. O caso calhou de acontecer em um período do ano dedicado ao tema.

O Setembro Verde, em alusão a data de 27 de setembro, Dia Nacional da Doação de Órgãos, traz à tona a importância de se declarar doador. A atitude já salvou muitas vidas, sendo que o Estado do Paraná é referência nacional com o maior número de doações efetivas de órgãos para transplantes em 2023.

“O sim de uma família salvou a minha vida”

Naila Marceli Bivanco, de 41 anos, passou por dois transplantes de rim. Ela descobriu um problema no órgão, chamado glomeroneflite crônica, com seis anos de idade. O primeiro transplante foi de um doador vivo, seu pai, quando ela tinha 11 anos. Mas, após 10 anos, o órgão foi rejeitado e, há 18 anos, ela passou por um novo transplante. Dessa vez, de um jovem que havia falecido e a família tinha optado pela doação dos órgãos.

“Foi muito difícil porque eu não era compatível com outros doadores e, como foi prioridade, na última tentativa, fizeram todas as medicações e conseguiram fazer com que o órgão funcionasse”, contou Naila.

Ela lembra que ainda hoje precisa fazer um acompanhamento para ter qualidade de vida. “Vivi uma história muito grande e vivo ainda, porque o transplante faz parte do tratamento. Continuo, mesmo fora da máquina, em tratamento, tomando medicações, fazendo exames, todos os cuidados necessários para que esse órgão fique vivo dentro do meu organismo”, explicou Naila.

Hoje, ela usa toda essa experiência para divulgar uma campanha para motivar outras pessoas a serem doadoras. “Todo mês de setembro faço a campanha do Setembro Verde para conscientização sobre a doação de órgãos, falo também sobre a parte do transplante que ainda é pouco falado. A campanha que faço chama “O sim de uma família salvou a minha vida”, contou Naila.

Desta forma, ela leva informação sobre a doação de órgãos para todos que cruzarem seu caminho. “Para várias pessoas que eu converso e que me conhece, falo da importância do sim, de deixar viva essa informação e, até mesmo, que a única certeza de que temos é que a gente não veio para ficar. Passei por muitas coisas, por muito tempo e hoje estar viva através do sim de uma família é muito importante para mim, para deixar fresco na memória, sempre quando posso coloco uma foto e coloco a #transplante nas redes sociais”, concluiu Naila.

Paraná é referência em transplantes

Foto: Ilustrativa/Freepik

A médica nefrologista há 22 anos, Luciana Soares Percegona, atua no Hospital São Vicente, em Curitiba. Somente na área de transplante renal são 21 anos de atuação e, ao longo desse tempo, já viu muitas histórias de superação dos pacientes e também teve ensinamentos. 

“O transplante é um processo sério que tem várias etapas até o paciente poder ser listado e que a ansiedade por parte do paciente e dos familiares é alta, bem como a frustração quando não há compatibilidade com o doador ou o transplante não dá certo. É fundamental o acolhimento e acompanhamento psicológico em todo o processo”, evidenciou a médica.

Segundo ela, o Paraná realiza um trabalho de excelência em relação aos transplantes. “O Paraná, além de ter serviços de excelência na área de transplante, tem uma das Centrais Estaduais de Transplantes mais ativas do Brasil, com índices de captação por milhão de população acima da média nacional. No Paraná, em 2022, foi de 40,6 pmp (por milhão de população), enquanto a brasileira foi de 16,5 pmp, segundo dados da Revista Brasileira de Transplante”, afirmou a Dra. Luciana.

Quanto à conscientização das pessoas sobre a doação de órgãos, a médica destacou que hoje há muito mais conhecimento e que o assunto deixou de ser tratado como um tabu na sociedade. “Melhorou muito, hoje não é tabu, há muito mais conscientização”, ressaltou a Dra. Luciana.

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