O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” tem se tornado uma verdadeira febre para a perda de peso, algo que ocorre em todo o Brasil, incluindo no litoral do Paraná. Muitas pessoas estão procurando o medicamento Tirzepatida, conhecido pelo nome comercial como Mounjaro, que, a princípio, foi desenvolvido para o tratamento do diabetes.
Segundo o diretor médico da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Jorge Luis Pinho Woll, o primeiro ponto é entender que não é algo simples ou automático. A medicação precisa obrigatoriamente ser prescrita por um médico. “Antes de qualquer prescrição, é necessária uma avaliação clínica. Trata-se de um medicamento como qualquer outro, com potencial de riscos, danos e efeitos colaterais, e por isso exige orientação médica adequada”, ressalta o profissional.
O médico lembra que em alguns casos é necessário, inclusive, solicitar exames e realizar outras avaliações pertinentes para que o profissional possa julgar qual medicação é realmente indicada. Isso porque a obesidade é uma doença multifatorial, ou seja, possui diversas causas.
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O medicamento aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratamento contra diabetes e também obesidade, pode ser prescrito por médicos e cirurgiões dentistas. O Mounjaro é uma medicação considerada eficaz na perda de peso. Estudos mostram uma redução de quase 25% do peso corporal, cerca de um quarto do peso total. No entanto, o médico alerta: se a principal causa da obesidade não for tratada, ao interromper o uso da medicação, o paciente tende a recuperar o peso perdido.
“Se a obesidade estiver relacionada, por exemplo, a um transtorno de ansiedade generalizada, esse transtorno precisa ser tratado e nesse contexto, a medicação entra como um coadjuvante”, observa. Apesar de ser eficaz, o uso deve seguir indicações claras, e não de forma indiscriminada. “Hoje, a indicação aprovada pela Anvisa para o uso da medicação é para pacientes com obesidade clinicamente diagnosticada ou para pacientes com diabetes. Essas são as duas aprovações existentes”, reforça Jorge Woll.

Produtos irregulares
Outro ponto de alerta é a importância de adquirir o produto original. “Apenas o medicamento proveniente do laboratório original, patenteado e autorizado pela Anvisa, oferece garantia de concentração, eficácia e segurança. Produtos sem procedência podem conter substâncias desconhecidas, concentrações inadequadas e causar efeitos colaterais graves, inclusive podendo levar a óbito. Medicamentos não autorizados pela Anvisa não devem ser utilizados”, alerta o médico.
Para utilizar esse tipo de medicação, é necessário diagnóstico de obesidade, definido pelo Índice de Massa Corporal (IMC), além de outras avaliações que o médico pode realizar, como a bioimpedância. A medicação atua em diversas áreas do organismo, incluindo o cérebro, mais especificamente no hipotálamo, que regula a fome. “Ela reduz a motilidade gástrica, fazendo com que o alimento permaneça mais tempo no estômago, aumentando a sensação de saciedade e diminuindo o apetite”, explica o diretor médico.
Como todo medicamento, pode ocorrer algum efeito colateral como enjoo, vômitos, constipação, diarreia e sensação exagerada de estômago cheio.
Mounjaro e bariátrica
Muitos comparam o uso do Mounjaro a uma “bariátrica menos invasiva”, e o médico concorda que a perda de peso alcançada é próxima à cirurgia, embora ainda não se iguale ao procedimento cirúrgico. “Mesmo assim, sem mudanças no estilo de vida, ao interromper a medicação, o peso tende a retornar. O tratamento da obesidade exige atividade física regular, alimentação saudável, redução de carboidratos, acompanhamento multiprofissional e, muitas vezes, apoio psicológico, já que a ansiedade pode estar associada ao quadro. A obesidade possui diferentes perfis clínicos e tratar apenas o peso, sem tratar a causa, mantém o problema”, salienta Jorge Woll.
O medicamento
O Mounjaro é composto pela Tirzepatida, um fármaco agonista de ação prolongada, altamente seletivo aos receptores humanos de GIP e GLP-1, para os quais apresenta alta afinidade. A Tirzepatida aumenta a sensibilidade das células à glicose, estimulando a secreção de insulina e reduzindo os níveis de glucagon, de forma dependente da glicose. Também melhora a sensibilidade à insulina, retarda o esvaziamento gástrico (efeito que diminui com o tempo) e reduz a ingestão alimentar, promovendo sensação de saciedade e contribuindo para a redução de peso.
O medicamento é indicado em conjunto com dieta de baixa caloria e aumento da atividade física para controle crônico do peso em adultos com IMC maior ou igual a 30 kg/m² (obesidade), ou maior ou igual a 27 kg/m² (sobrepeso) na presença de pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, como hipertensão, dislipidemia, apneia do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes tipo 2. Somente médicos e dentistas podem prescrever o medicamento.





