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Editorial

Educação e a responsabilidade social

O tratamento de assuntos atuais, comportamentais e de cidadania tem formado muitos estudantes como agentes transformadores sociais.

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Há tempos que o papel das escolas deixou de priorizar apenas (e não menos importante) o conteúdo pedagógico aos alunos, avaliações e obtenção de resultados pautados somente nos conceitos dos livros e apostilas dentro de sala de aula.

Acabou o bimestre e encerrou o conteúdo em pauta? Não. Atualmente, a necessidade de contextualizar a realidade social para dentro das escolas faz com que as instituições tenham que enfatizar também a formação do aluno como cidadão consciente de seus direitos e deveres.

Ou seja, o estudo de um tema não fica pautado à risca apenas no que segue a apostila. O tratamento de assuntos atuais, comportamentais e de cidadania tem formado muitos estudantes como agentes transformadores sociais. E essa é a diferença. É este o caminho que a educação precisa traçar não apenas como formadora de bons estudantes, mas como cidadãos preparados para conhecer a atualidade, estar inseridos em sociedade e compreender como deve ser o seu comportamento ético desde a primeira infância e adolescência até a fase adulta.

Com isso, a nova era das escolas precisa promover a construção de valores morais, pessoas críticas, instruídas, portadoras de conhecimentos comunitários, e que priorizem o bem-estar coletivo.

Em Paranaguá, escolas e centros municipais de educação infantil da rede municipal têm se destacado pela inserção na grade de ensino de projetos voltados à cidadania. Temas como amor ao próximo, “palavras que encantam”, destinadas a pacientes em tratamento contra o câncer; e mais recentemente os programas de conscientização sobre a doação de órgãos e o “Educação pela Paz, construindo lares sem violência”, em parceria com o Poder Judiciário são provas de que a boa base escolar vai além das disciplinas curriculares.

É preciso preparar e educar uma criança, por exemplo, a saber como respeitar as diferenças, como identificar e não aceitar a violência doméstica, como denunciar um caso de pedofilia aos pais, por exemplo. Temas estes, que até pouco tempo, eram tratados como tabu nos lares brasileiros, mas que precisam de uma reformulação cultural através da criança para gerar resultados futuros. Para prevenir, é necessário informar, comunicar e educar. E aí entra o papel da escola.

Hoje, as escolas são um dos primeiros ambientes externos de socialização e, portanto, é preciso que elas e seus educadores estejam preparados e atualizados para caminhar junto às mudanças sociais que compreendem a infância. Porém, as iniciativas devem acontecer com a participação da família. Um desafio, mas certamente, a chave fundamental para o desenvolvimento.

É válido lembrar que a escola não pretende nem deve substituir o papel da família nem ditar o padrão dos estudantes, mas é seu papel constitucional enfocar a realidade social. Para reflexão, fica a frase do educador Paulo Freire, o qual reforça que “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.

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