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Crônicas

Essa tal desconfiança

O próprio consumidor era quem escolhia o livro, pagava o valor correspondente numa caixa…

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Em algum momento das férias, passei pelo Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba. Lá, deparei-me com um espaço que chamou a minha atenção. Nele, o produto comercializado eram livros. Mas o que mais me intrigou é que não havia vendedores ou atendentes. O próprio consumidor era quem escolhia o livro, pagava o valor correspondente numa caixa, que, nesse caso, literalmente, tratava-se de uma caixa de madeira branca, mas também seria possível pagar com o cartão, caso preferisse. Depois, era só pegar uma sacola para acomodar o objeto da compra e realizar uma boa leitura. Aqui, estou praticamente reproduzindo os dizeres que se encontram num banner, que fica na entrada do local, para orientação dos clientes.

O espaço se chama Peg & Pag – Top Livros e fica na sala de embarque do aeroporto. Por sinal, muito bem organizado, limpo, convidativo, com um acervo diversificado e que (pasmem!) funciona na base da “confiança”.

Confiança. Achei que essa palavra tinha sido abduzida, mas ainda sobrevive. Aleluia! Está um tanto fora de moda, convenhamos. Principalmente, em um país em que a maioria dos políticos desdenha do voto de “confiança” recebido de seus eleitores, e as notícias de falcatruas são manchetes diárias.

Outro dia, um homem me abordou na rua e pediu uma informação sobre o endereço de um determinado local. Gelei. De repente era só um pretexto para que eu parasse, e ele, rapidamente, fizesse saltar uma arma e levasse não só meus pertences, mas, com o ato enterrasse, de vez, a minha crença em relação à humanidade. Nada disso, o homem estava mesmo precisando de ajuda. 

Seu celular toca, e o número que consta na tela é desconhecido. Você atende? Claro, pode ser a secretária do dermatologista confirmando a sua consulta e, por ser a primeira vez, você ainda não havia salvado o número nos contatos. Aliás, podem ser tantas coisas, inclusive, alguém do outro lado da linha dizendo ser “seu filho ou sua filha” e pedindo, em caráter de urgência, um depósito em determinada conta antes que os supostos sequestradores venham consumar as ameaças.

Você para no semáforo, logo vê se aproximando um garotinho trazendo nas mãos uma caixa recheada de doces. Ele dá duas batidinhas leves no vidro do carro. Se é uma mulher ao volante, as chances de colocar umas pedrinhas de gelo no lugar do coração são altas, pois deixa de lado o instinto maternal e de proteção e prefere aderir a precaução de não baixar o vidro. Pode ser que a criança apenas seja um chamariz para, de repente, aparecer um adulto e anunciar o assalto. Então, você finge que não vê, finge que não é com você e espera ansiosamente o sinal abrir. Infelizmente, é assim que a banda toca. E, aqui, fiz questão de colocar o exemplo de uma mulher porque sabemos que estatisticamente são as mais vulneráveis.

Portanto, tranque o carro, não acredite em quem vem lhe oferecer um bilhete premiado, evite as ruas escuras, preste atenção ao seu redor. Em dias atuais e no país da insegurança, desconfiar virou um verbo que pode salvar vidas.

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