Professor Henrique José de Souza
Ó tu, irmão amado que vais ler estas linhas, como discípulo que és dos Mestres! Presta atenção ao Velário que vai rasgar-se diante dos teus olhos, para apresentar o cenário magnificente do Maior Santuário do mundo: o país de SHAMBALLAH.
Como profano que és, mister se faz que te banhes em todos os rios sagrados por onde passares, em cujo seio já foram recebidos os corpos desses semideuses que le-vam os nomes de Mahatmas, de Sufis, de Arhats, de Bodhisatvas e até mesmo de Buddhas, porque Índia é tua pátria, é a pátria de todos os homens, de todas as religi-ões e filosofias; e, porque não afirmar – de todas as línguas.
Se queres transpor as cordilheiras do Himalaia, perfuma-te primeiro com os un-guentos mais valiosos que conheceres e despe-te de todo pensamento impuro, es-quecendo Pátria, família, e até a própria vida.
Eis que diante de teus olhos admirados, surge o Grande Deserto de Gobi. Para e descalça as tuas sandálias, beijando três vezes o pó, porque estás pisando a Pátria Sagrada dos Deuses.
Desde esse momento, começaste a aspirar o perfume inebriante do Loto Sa-grado que se oculta majestoso e belo dentro da Cidade Eterna.
Dize mais uma vez, um último adeus ao horizonte imenso onde desapareceram todas as tuas aspirações terrenas, porém, não te voltes mais, se de fato queres pros-seguir na tua jornada de peregrino. Reflete bem, irmão amado, que jamais humanas criaturas ousaram pisar essas paragens inóspitas, reminiscências do passado grandi-oso de uma raça.
Já ouviste falar na harmonia dos sons? Já sentistes as vibrações puras e divinas do AUM Sagrado, que repercute em todas as coisas? Não estranhes esta linguagem se ela é nova para os teus ouvidos; ou volve os teus passos se ela te confunde ou atemoriza.
Seca as tuas lágrimas passadas e ri, mas com o sorriso interno dos que não levam mais o pesado fardo do Karma individual, mas sim, do Karma Universal.
Ouço-te a indagares de ti mesmo: que melodia é esta, tão estranha, mas tão sublime que se assemelha a um Coro Seráfico, acompanhado pela Lira maravilhosa de Orfeu e secundada pelos Versos doirados de Pitágoras, pelas últimas palavras de Jesus, o Cristo, a exalar o seu último suspiro; pela doçura e compaixão de Çakyamuni; pela brandura e Sabedoria de RamaKrishna; pelos Grandes Ensinamentos de Lao-Tsé, de Zoroastro, de Hermés, de Apolônio de Tiana? E este novo ruído estranho, como um ritmo cadenciado de um bailado místico, executado por vaporosas Sacerdotisas, que alimentam, talvez, o Fogo Sagrado de algum Templo Nirvânico?
De fato, alguns passos mais e estarás diante das intransponíveis muralhas sagra-das de um País até hoje desconhecido – Templo de Luz e de Amor.
Estará o teu corpo fatigado! Terá ele fome ou sede! Se assim é, ainda podes re-troceder, porque ali, embora sendo o Templo da Vida, morre-se de fome ou de sede, porque o alimento e a água cristalina ali existentes só alimentam e saciam aqueles que têm fome e sede de Luz.
Palácio suntuoso e belo, não pode ser penetrado por pés profanos, nem mesmo pelos Reis e senhores do mundo. Se desejas ser escravo dos Reis Divinos, ou mesmo, se és um humilde peregrino que nada aspira da vida terrena, mas somente Amor e Verdade, encoraja-te e ousa bater com o teu bastão contra a sua Porta de Ouro e… quem sabe, poderás ser recebido.
Lembra-te, apenas, que aquele lugar é o Reflexo do Nirvana no Mundo, e lá, só penetram aqueles que O encontraram dentro de seus próprios corações.
***
Pobre de ti, alma peregrina! Volve os teus passos e aguarda uma outra ocasião mais propícia para seres recebida naquele PAÍS SAGRADO.
Pensa e sofre comigo, meditando nas seguintes palavras: Ó SHAMBALLAH! País Sagrado onde o Amor puro tem o seu verdadeiro Trono, guardado por Aqueles que levam o nome de Bhante-Yaul! Berço Divino de Jesus, o Cristo; de Zoroastro; de Mai-treia; de Hermés; de Rama-Krishna; de Çakyamuni e todos estes Reis Divinos que, de tempos em tempos, vêm iluminar as mentes humanas, ou melhor, “nasceram em uma nova Yuga para restabelecimento da Lei”, sê Bendita por toda a Eternidade.
Já que não me foi dado transpor as grandes barreiras que me separam de Ti, consente ao menos que eu possa conservar em todo o meu ser, o perfume suave do Loto Sagrado que ocultas com tanto zelo e carinho, dentro do Teu Santuário de Amor. E tu, Maha-Chohan, o Maior de Seus Filhos, perdoa a minha profanação pronunciando o Teu Nome, ou se as minhas palavras, por um instante, foram perturbar o Teu Grande Sonho de Amor pelos homens, prestes a ser realizado! A tua Guarda avan-çada, o Senhor Teshu-Lama, no Seu Retiro Privado, pressentindo a minha presença profana, fez com que o caminho até então esclarecido pela melhor das esperanças, fosse obscurecido por não ser eu digno nem merecedor de tamanha graça.
Loto Sagrado, abre as tuas pétalas perfumosas e belas e deixa cair sobre o mundo, a Pérola Divina, desprendida dos Olhos de Parabrahm, pela Sua Eterna Dor pelos homens, para que estes sejam benditos com a Tua Presença.
Permite ao menos que, na Tua descida do Nirvana ao Mundo, Eu possa reconhe-cer-Te entre os muitos que virão, em Teu Nome, pelo perfume que um dia aspirei perto da Tua Morada e por aquela Música transcendente que os meus ouvidos jamais cessarão de ouvir.
***




