Por Fonseca.R
Há um instante preciso em que a vida decide nos ensinar humildade à força. Sem aviso prévio, sem mandar recado. De surpresa, simplesmente desaba. E quando se desaba, não é umassesa coisinha aqui, outra ali. É tudo junto, numa sinfonia sinistra: o trabalho, os projetos, a família, os sonhos, a saúde, o dinheiro. Tudo virou cinza, se evaporou, sumiu como água entre os dedos.
O pior não é nem o tombo em si. O pior é olhar para trás e não conseguir encontrar o erro, a negligência ou a preguiça covarde. Simplesmente, porque não houve. Lutou-se até a exaustão. Com coragem, com denodo, com entrega absoluta, sem economizar suor nem sono. E mesmo assim, desabou.ass
Aí vem aquela sensação de falência interior, mais devastadora que qualquer ruína material. O sentimento de ser pequeno demais para o mundo, fraco demais para o combate, inepto demais para a vida. A tentação é imensa: largar tudo, sumir, virar as costas para o espelho porque a própria imagem acusa, condena, envergonha.
É nessa hora, quando a vontade de desistir sussurra promessas de alívio, que precisamos fazer o mais difícil: respirar. Apenas isso, num primeiro momento. Respirar fundo, devagar, como quem está prestes a mergulhar num oceano turvo mas sabe que precisa guardar fôlego. E depois, buscar aquela força esquisita que mora lá no fundo, naquele porão da alma que raramente visitamos. Ela está lá. Sempre esteve. Ignorada, maltratada, esquecida. Mas intacta.
Não se trata de heroísmo barato nem de otimismo de almanaque. Trata-se de algo mais bruto, mais ancestral: a teimosia biológica de seguir respirando mesmo quando parece não haver razão. Hemingway, que sabia um bocado sobre derrotas e destroços, disse certa vez que sua lição mais difícil na vida adulta, foi a necessidade implacável de seguir em frente, não importando o quão destruído ele estivesse por dentro. Implacável é a palavra certa. Porque não há escolha, não há negociação. Ou seguimos cambaleantes, sangrando por dentro, ou viramos estátua de sal.
E seguir não significa fingir que está tudo bem, não é carregar bandeira de positividade tóxica nem postar frases inspiradoras nas redes sociais. Seguir é acordar no dia seguinte mesmo sem vontade. É colocar um pé na frente do outro quando as pernas tremem. É admitir o fracasso sem se confundir com ele. Porque fracassar é verbo, não substantivo. É algo que se faz, não algo que se é.
Os destroços ao redor não desaparecem por mágica. Continuam lá, espalhados, pedindo providências. Mas algo muda quando aceitamos que o chão pode ser ponto de partida, não apenas de chegada. Quando entendemos que lidar com os obstáculos não é vencê-los todos de uma vez, mas aprender a conviver com eles enquanto buscamos, com paciência de artesão, pequenas soluções, pequenas vitórias, pequenos avanços.
Porque no fim, Hemingway também sabia disso: o que nos define não é ter caído, mas o que fizemos depois de olhar para o buraco e decidir, contra toda lógica, sair dele.
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