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Semeando Esperança

Fé: segura na mão de Deus e vai!

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Tem sido cada vez mais exigente manter um olhar sensível às dores das pessoas, particularmente diante de meio milhão de mortos, consequência da covid-19. Tais pessoas falecidas são um dos dados mais tristes da nossa história nacional. De quem é a culpa? Claro, é preciso averiguar os fatos, de cordo com o que está previsto na Constituição e nas outras Leis que dela derivam. Mas acima de tudo é preciso encontrar sentido para prosseguir vivendo cada dia.

É nesse contexto que ouviremos nas celebrações deste Domingo o Evangelho segundo Marcos: Jesus e os discípulos estão em um barco, pois querem chegar à outra margem do mar, e são pegos por uma forte tempestade, cujas ondas cobrem o barco e os discípulos. Jesus, porém, dorme. Quando os discípulos o acordam, ele conjura os ventos e o mar, e acontece uma grande calmaria (4,35-41).

Duas perguntas marcam o texto bíblico. Os discípulos perguntam a Jesus: “Mestre, não te importa que nós morramos?” Jesus, por sua vez, depois de acalmar a tempestade, demonstrando que a vida de cada pessoa importa para Deus, questiona-os: “Por que vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” Essas perguntas estão muito presentes no coração da humanidade, nesse tempo da pandemia e, especificamente no coração dos brasileiros, ao perceber o rápido e crescente número das pessoas mortas por infecção pelo novo coronavírus.

A certeza bíblica é esta: nas tempestades, Deus se manifesta. Quando tudo está tranquilo ao nosso redor e em nossas vidas, tendemos a confiar em nossas forças, seguros de que tudo dará certo. E Deus fica, como que, sobrando. Contudo, ao surgirem “tempestades” reconhecemos que nossas forças são pequenas e pouco confiáveis. E, então, recorremos a Deus, nem tanto por amor a ele, mas por amor a nós mesmos, pois queremos salvar “nossa pele”. Mas isso é secundário. Mais importante é buscar o Senhor e reconhecer que na tranquilidade ou no desespero não estamos sozinhos e nem abandonados à própria sorte. Nossas vidas estão nas mãos de Deus.

Certamente, esperamos na fé poder alcançar proteção, cura e bem estar. A fé, porém, nos une à pessoa de Jesus de Nazaré e ao estilo de vida que ele nos propõe pelo seu Evangelho. “Quem é esse homem – perguntavam-se os discípulos amedrontados –, a quem até o vento e o mar obedecem?” É a ele que somos chamados a “dar crédito”, por causa do poder divino que nele se manifesta e pelo maior gesto de salvação: a entrega amorosa de sua própria vida. Assim, a fé no seu poder é apenas abertura para chegarmos à uma fé mais profunda em Cristo Crucificado. A tempestade acalmada está no início da missão de Jesus; no fim, estão sua cruz, sepultura e ressurreição. Somente reconhecendo esse gesto poderoso é que alcançaremos aquela confiança que nos ajuda a enfrentar as pequenas e grandes tempestades de nossas vidas e da humanidade.

“Se as águas do mar da vida quiserem te sufocar, segura na mão de Deus e vai”. Ou seja, vamos crer – segurar na mão de Deus – e também agir, vivendo corajosamente cada uma das grandes ou pequenas tempestades pelas quais passamos a cada dia, as nossas e as das pessoas que sofrem muito mais do que nós. De uma coisa temos certeza: Deus se importa conosco! Para ele toda vida é importante.

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