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Maçonaria

Amizade, amor, altruísmo (2)

Verificamos na semana anterior que as palavras “amor” e “amizade” vem da mesma origem etimológica no latim, o verbo “amare”, representando desde a antiguidade um sentimento “que impele as almas para o que se lhes afigura ser belo, justo e verdadeiro, constituindo o objeto de nossa afeição

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Verificamos na semana anterior que as palavras “amor” e “amizade” vem da mesma origem etimológica no latim, o verbo “amare”, representando desde a antiguidade um sentimento “que impele as almas para o que se lhes afigura ser belo, justo e verdadeiro, constituindo o objeto de nossa afeição.” Lembramos, também, o conselho do apóstolo Paulo aos romanos: “Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.”

Este sentimento de amor fraterno, fundamentalmente desinteressado, é a divisa da Ordem Maçônica “e constitui um dever a que se acham obrigados, sem exceção alguma, todos os Maçons da terra.” O cumprimento deste dever, contudo, não é nada penoso. Ao contrário, o espírito humano se alegra com a confiança recíproca e a leveza que se sente num ambiente realmente fraterno e tolerante, no qual são edificadas amizades verdadeiramente sinceras e duradouras. 

O amor cordial e o apego ao bem, conforme recomendados por Paulo, levam os Maçons à prática constante do bem ao próximo, no que representa “a maior vitória sobre o egoísmo”, algo fundamental para a construção do edifício social preconizada pela Maçonaria. O altruísmo é, portanto, um requisito essencial para algum dia alcançarmos uma sociedade verdadeiramente fraterna. 

A origem das palavras tem muito a nos ensinar. “Altruísmo” vem da raiz latina “alter”, que significa “outro”, sendo justamente o oposto de “ego”, cujo significado é “eu”. Altruísmo é o sentimento oposto ao egoísmo, é a “capacidade que o indivíduo tem de abrir mão dos próprios interesses, para se preocupar e interessar pelos outros.” Enquanto o egoísmo visa somente a vantagem individual, “o altruísmo realiza a concatenação natural do gênero humano pela identificação dos interesses do indivíduo com o dos outros, de determinados outros, ou da humanidade como tal”.

Auguste Comte (1798-1857), filósofo francês formulador do Positivismo, “acreditava que cada pessoa tinha o deve moral de colocar o bem dos outros acima de seu próprio bem. Assim, o altruísta deveria procurar beneficiar o máximo possível de pessoas com suas ações, sem considerar seu próprio bem. Cada um deveria esquecer de si mesmo para ajudar os outros.” A filosofia positivista inclui, “sob o nome de altruísmo, o conjunto das tendências ou instintos simpáticos, como a afeição, a veneração, a bondade”. 

Em outras palavras, altruísmo é a “tendência ou inclinação de natureza instintiva que incita o ser humano à preocupação com o outro e que, não obstante sua atuação espontânea, deve ser aprimorada pela educação positivista (que tem o conhecimento científico como o único válido), evitando-se assim a ação antagônica dos instintos naturais do egoísmo.”

A Maçonaria não se apega a dogmas e assim aproveita tanto a sabedoria bíblica de Paulo quanto o entendimento positivista de que “o altruísmo (…) é uma luta contínua contra as manifestações insistentes do egoísmo” para, veladamente, apresentar a seus adeptos advertências contra tais manifestações do ego, incentivando e propiciando a prática constante da filantropia e da abnegação, enfim, do amor desinteressado ao próximo.

Com base em informações de N. Aslan e Dicionário Online Oxford Languages e dicionarioetimologico.com.br.

Responsável: Loja Maçônica Perseverança – Paranaguá – PR ([email protected])

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