Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

VIDA CENTENÁRIA

A veterana Liamir Santos Hauer está em festa.

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Profª Lúcia Helena Freitas da Rocha

Viver até os 100 anos já não é mais algo tão raro no Brasil.

Cada vez é mais comum ouvir histórias de pessoas que chegam aos 100 anos ou mais, o que se tornou um fenômeno que despertou o interesse de cientistas em todo o mundo. Ao longo dos anos, diversos estudos buscaram descobrir quais fatores permitem que essas pessoas vivam tanto tempo, além da genética ou dos cuidados médicos. Quais são as características comuns entre aqueles que alcançam essa longevidade extrema?

A veterana Liamir Santos Hauer está em festa. No último dia 9 de fevereiro comemorou a cifra de 103 anos, cravados. É nascida em 1923 – e se pode dizer a data sem pudores, pois ela mesma, a aniversariante, faz as contas repetidas vezes. “Leilah, quantos anos eu completei mesmo?”. Leilah Santiago Bufrem – conhecida intelectual paranaense, editora, professora aposentada da UFPR e, antes de tudo, filha de Liamir, repete com boca cheia o número de três dígitos inalcançável para a maioria dos mortais. A mãe faz cara de espanto quando ouve a resposta e replica a informação, alguns decibéis acima. É festa.

Liamir Santos Hauer, escritora, nasceu em Curitiba no dia 9 de fevereiro de 1923, com cinco anos de idade foi morar em Paranaguá onde passou a sua infância e, aos quinze anos, se casou com o professor Dr. Ernani Santiago de Oliveira, advogado, inteligente e de grande cultura, ao lado do qual foi aperfeiçoando e desenvolvendo os seus conhecimentos intelectuais.

Morava numa chácara e criou, com o apoio dos seus amigos, um circo no quintal onde equilibrava-se no “arame”, apresentava mágicas, plantava bananeira, dançava e até cantava.
É filha dos professores e escritores Pompília Lopes dos Santos e Dario Nogueira dos Santos.

Diz-se que tinha 15 anos quando o diretor da escola, Ernani Santiago, a pediu em casamento – “livrando-se da pior aluna do ginásio”, como ela gosta de debochar. Ao contrário do que se acreditava, o matrimônio não curou a guria que amava a vida “em febres”. Liamir, a propósito, casou-se três vezes, mantendo-se, invicta, uma chaleira de água fervendo. Para despeito de muitas de suas contemporâneas, encaixou-se num daqueles casos raros de quem pouco se importa com a opinião alheia. Amou, viajou, curtiu a glória e as vacas magras.

Crescendo em um ambiente envolto de cultura e literatura, Liamir tornou-se escritora, onde lançou obras sobre as suas vivências e memórias. Sua primeira produção, chamada ‘O Circo’, baseia-se em sua experiência junto ao Circo Parnanguara. Através de sua escrita, Liamir pode se expressar, preservar a sua memória e a memória dos seus amigos, além de lidar com a perda de seu irmão.

Essa rica trajetória de vida centenária torna a escritora Liamir Santos Hauer merecedora de grande homenagem, por representar uma mulher paranaense lutadora e incansável na arte de transmitir às outras pessoas os conhecimentos que possui, com a sabedoria que lhe é peculiar.


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