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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

A venda de laranjas na Rua da Praia

Estamos em período de isolamento e aprendendo com a saudade

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Estamos em período de isolamento e aprendendo com a saudade. Longos dias sem rever nossos amigos e entes queridos. Contudo, é a saudade que faz a gente evocar a lembrança. E por isso, resolvi compartilhar uma memória. Certo dia, na biblioteca do Instituto Histórico, encontrei entre os livros, no fundo da estante, uma fotografia. Foi uma surpresa. Fiquei a admirando por vários segundos e, de repente, a fotografia me fez viajar para outro lugar. Era uma foto com um tom amarelado, com cheiro de lembrança. A fotografia mostrava várias canoas próximas à Rua da Praia. Uma das canoas, em específico, estava carregada de laranjas, havia tantas laranjas que algumas caíram na água. Na mesma fotografia, era possível observar alguns homens degustando os gomos daquelas que pareciam ser mimosas.

Esta imagem me fez lembrar do meu falecido avô. Ele e minha avó Teresa moravam em um sítio bem distante da cidade, era pescador e lavrador. Nesse sítio ele plantava verduras, laranjas, feijão e arroz. Quando era época de colheita, ele colocava as laranjas em sua canoa e as vendia em Paranaguá. A fotografia do fundo da estante, de forma mágica me ligou com o passado e me fez me aproximar do meu avô. 

A saudade é dolorida, mas faz valorizarmos o que realmente importa. E assim, espero que essa memória também traga boas lembranças de tudo o que emociona e traz boas sensações. Logo espero rever todos os amigos, quero colocar os pés descalços na água e voltar à biblioteca do Instituto que guarda tantos livros, fotografias e objetos que nos fazem lembrar de tudo que é bom, um universo de histórias, de evocações e de memórias.

Priscila Onório Figueira

Historiadora- membro da Diretoria do IHGP biênio 2019-2020