História, Memória e Patrimônio

Os Marcos de Pedra da Ordem de Cristo no Brasil e o Contexto em Paranaguá

Historicamente, esse objeto marca o momento em que os portugueses afirmavam sua responsabilidade pela administração do territóriO

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Caro leitor, viajemos ao século XVII para compreender que, em Paranaguá, existe um objeto raro encontrado também apenas, no Rio Grande do Norte.

Historicamente, esse objeto marca o momento em que os portugueses afirmavam sua responsabilidade pela administração do território. Poucas menções sobreviveram: em uma provisão de 1675, consta que o Ouvidor-Geral do Rio de Janeiro, Doutor Pedro de Unham Castelobranco, queixou-se ao governo pelo fato de terem sido arrancados os marcos de pedra, entre o Rossio e o Emboguaçu, conforme registrado no Termo de Vereança n.º 42.

Os marcos de pedra com a cruz da Ordem de Cristo não eram meras referências geográficas; carregavam sentidos de poder, fé e domínio. Mais do que indicar limites territoriais, representavam a soberania da Coroa portuguesa e a missão cristã que legitimava a expansão ultramarina. Feitos em pedra calcária e gravados em alto-relevo, eram colocados em pontos estratégicos do litoral e do interior, sinalizando fronteiras e a presença portuguesa. O monarca, como Grão-Mestre da Ordem, unia poder temporal e espiritual.

A Ordem de Cristo, sucessora da antiga Ordem dos Templários em Portugal, teve papel decisivo na Era dos Descobrimentos. Sob seu patrocínio, expedições foram financiadas e conquistas legitimadas. No Brasil, alguns marcos permanecem como testemunhos desse processo, como o Marco do Descobrimento, na Bahia, e o Marco de Touros, no Rio Grande do Norte e os Marcos de Paranaguá.

Em Paranaguá, existem marcos de pedra preservados, enfatizando o espírito de soberania e evangelização. A divisão em capitanias hereditárias, a concessão de sesmarias e as normas coloniais reforçavam a lógica de apropriação da terra em nome do rei e sob a cruz.

O porto de Paranaguá desempenhou papel essencial no Brasil colonial, constituindo ponto vital de escoamento da produção regional, especialmente da erva-mate, comercializada com os países do Prata. Essa atividade integrou a cidade às redes comerciais do Atlântico Sul e reforçou sua relevância política e administrativa.

Esses marcos cumpriam duas funções:

  • Prática: estabelecer limites e garantir juridicamente a posse;
  • Simbólica: unir fé e poder, legitimando a presença portuguesa.

Hoje, os exemplares que resistiram ao tempo constituem preciosos testemunhos da formação do Brasil. 

Heranças da velha Paranaguá, estes marcos físicos nos trazem a importância histórica, evidenciando como símbolos, leis e narrativas moldaram o território e a memória coletiva.

Em última instância, os marcos da Ordem de Cristo não eram meramente pedras fincadas no solo, mas afirmações de uma visão de mundo na qual conquistar um território significava submetê-lo ao rei e cristianizá-lo — unindo política e fé.


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Hamilton Ferreira Sampaio Júnior

Hamilton Ferreira Sampaio Júnior é pesquisador de história e genealogia, formado em Teologia e licenciado em História. Faz parte da Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia e do Departamento Cultural do Club Litterario de Paranaguá, sendo também sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá. Atua em projetos históricos de resgate de memória, livros comemorativos e biografias, além de projetos museológicos e pesquisas documentais para segunda cidadania. Seu mais recente trabalho foi o livro comemorativo dos 100 anos da Associação Comercial Agrícola e Industrial de Paranaguá.

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